sábado, 3 de outubro de 2009

A Solidão E Sua Porta

A SOLIDÃO E SUA PORTA
Carlos Pena Filho

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha).

Quando, pelo desuso da navalha                                            
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

(Estátua de Carlos Pena Filho na Praça da Independência - centro do Recife)