quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Poesia matuta: Jessier Quirino

Lua de Tapioca

Jessier Quirino

Quando a lua se faz de tapioca

Com a goma e o coco a me banhar

Sinto meu coração corcovear

Por estar no abandono abandonado

E sozinho que nem boi de arado

Me avermelho que é ver flor de quipá

E se algum alegreiro me jogar

Tanto assim de alegria, eu arrenego

Porque fico que nem olho de cego

Que só serve somente pra chorar.

É a lua acendendo a lamparina

E meu facho de luz a se apagar

Com as bochecha chorada a se chorar

Taliquá mamão verde catucado

Mas porém, sinto meu peito caiado

Quando vejo de longe o riso teu

Igualmente a um morrido que viveu

Peço que teu socorro não demore

E que só minha fala te sonore

E que dentro de ti só more eu.