terça-feira, 15 de setembro de 2009

José da Natividade Saldanha (1776-1832)

Soneto 16



(De José da Natividade Saldanha, 1776-1832)

Aquela que na flor da primavera
Ontem perpétua ser nos prometia,
Hoje, quando mais bela parecia
Ao golpe sucumbiu da Parca fera.
Sua alma, já vingando a azul esfera,
Vai o nume buscar, que veste o dia,
E do corpo, que é terra, a terra fria
Apesar dos amantes se apodera.
Que ilusa vives, néscia formosura,
Pensando eternizar-se loucamente
Se Nize bela vês na sepultura!
Não se evade ao cutelo um só vivente,
Corta co'o mesmo gume a Parca dura
O mísero pastor, o rei potente.


(In Poesias oferecidas aos amantes do Brasil, Lisboa 1822)