terça-feira, 15 de setembro de 2009

Soneto 16, José da Natividade Saldanha


Aquela que na flor da primavera
Ontem perpétua ser nos prometia,
Hoje, quando mais bela parecia
Ao golpe sucumbiu da Parca fera.
Sua alma, já vingando a azul esfera,
Vai o nume buscar, que veste o dia,
E do corpo, que é terra, a terra fria
Apesar dos amantes se apodera.
Que ilusa vives, néscia formosura,
Pensando eternizar-se loucamente
Se Nize bela vês na sepultura!
Não se evade ao cutelo um só vivente,
Corta co'o mesmo gume a Parca dura
O mísero pastor, o rei potente.


(In Poesias oferecidas aos amantes do Brasil, Lisboa 1822)
(José da Natividade Saldanha, 1776-1832)