quinta-feira, 21 de maio de 2009

Brasil na literatura portuguesa

Há uma grande influência do Brasil na literatura portuguesa e uma presença "inevitável" do colonialismo português nas literaturas africanas, disse à Lusa uma das curadoras do Prémio Portugal Telecom de Literatura de Língua Portuguesa, Maria Lúcia Dal Farra.

Rio de Janeiro, Brasil, 21 Mai (Lusa) -- Há uma grande influência do Brasil na literatura portuguesa e uma presença "inevitável" do colonialismo português nas literaturas africanas, disse à Lusa uma das curadoras do Prémio Portugal Telecom de Literatura de Língua Portuguesa, Maria Lúcia Dal Farra.
Nas 10 obras de autores portugueses e de países africanos de língua portuguesa que compõem os 50 finalistas escolhidos entre os 501 inscritos, a professora da Universidade de São Paulo Maria Lúcia Dal Farra avalia as singularidades das obras inscritas este ano para concorrer ao prêmio.
"Eu interessei-me em saber que tipo de interlocução, de conversa, existia entre as culturas e as literaturas da mesma língua que têm identidades absolutamente diferenciadas e que tipo de relação mantinham com a antiga metrópole (Portugal)", afirmou.
Segundo a investigadora, "há uma vontade da parte dos portugueses de se aproximar muito do Brasil", disse ao referir a escritora lusa Inês Pedrosa cujo romance faz uma "leitura pós-moderna do Padre António Vieira".
"Os portugueses consideram muito o Brasil", acrescentou. De seis romances portugueses escolhidos, pelo menos dois falam directamente da relação com o Brasil, o da Inês Pedrosa ("A eternidade e o desejo") e do Miguel Sousa Tavares ("Rio das Flores").
Já nas literaturas africanas, Dal Farra salienta que o "interlocutor é sempre Portugal" e que o colonialismo está presente em todas as obras.
"Há uma relação forte com Portugal, é inevitável essa relação com o colonialismo. O Pepetela ("Predadores") conta a história do personagem que é um primor de predador, assassino, corrupto, criminoso, e que vence na vida através dos interstícios do poder angolano depois da revolução que permitiu que isso acontecesse. Uma espécie de capitalismo selvagem dentro do socialismo", analisa.
Segundo Maria Lúcia, apesar de proporcionalmente inferior o número de obras que concorrem ao prémio literário, seis são romances portugueses e outros quatro são obras de autores africanos de países de língua portuguesa, eles "sem dúvida" têm chance e estão bem colocados.
A curadora explica que apenas são permitidos inscrever-se para o prémio aqueles autores portugueses e africanos cujos livros foram publicados no Brasil durante o ano de 2008. E no ano passado, foram apenas 12 livros. E desses, 10 concorrem entre os 50 finalistas.
"É uma percentagem alta, relativamente os portugueses estão muito bem representados". Dal Farra realça que o ingresso de autores lusófonos tanto de Portugal e da África ainda é reduzido no mercado brasileiro e explica que "os editores brasileiros estão interessados em editar portugueses e africanos que já fizeram sucesso e quando eles vêm para o Brasil para serem publicados, já é certeza absoluta de sucesso"


(Expressa - jornal de Portugal)