quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cristóvão Tezza é o vencedor


O escritor brasileiro Cristovão Tezza é o vencedor do Prêmio Portugal Telecom com o livro: O Filho Eterno.
"Antônio", da brasileira Beatriz Bracher e "Eu hei de amar uma pedra", do português António Lobo Antunes dividiram o segundo lugar e o terceiro lugar ficou "O sol se põe em São Paulo", de Bernardo Carvalho.
Cristóvão Tezza é da cidade de Lages, Santa Catarina, foi projetado no cenário da literatura nacional com o livro Trapo publicado em 1988.

Em O Filho Eterno, Tezza traduz as dificuldades e alegrias das pequenas vitórias na criação de um filho com síndrome de Down, ao mesmo tempo em que apresenta um painel dos últimos 30 anos de história do Brasil.

Só Tezza e Beatriz compareceram para receber o prêmio no palco da Casa Fazano, em São Paulo. A escritora disse que era a primeira vez que ganhava um prêmio com sua literatura e que "empatar com Lobo Antunes é mais que ganhar um primeiro lugar".

Após receber o prêmio, Cristovão Tezza, autor de tantas obras, disse que O Filho Eterno "foi um livro marcante na minha vida, muito singular, com uma enorme carga emocional", disse. Comentou ainda sobre o fato de escrever um livro autobiográfico na terceira pessoa e não na primeira foi necessário para ele se distanciar das coisas. "Foi um livro que levei mais de 20 anos para escrever", acrescentou. Por que? Porque problemas pessoais não devem entrar na literatura. É uma das vantagens de ficar velho, o amadurecimento permitiu um um olhar de afastamento para essa história, que eu não poderia contar na primeira pessoa". O escritor e professor de literatura destacou o fato da obra contar a história dos anos 60, 70, a história de sua geração".
(Fonte: o Estadão)
Serviço:
O Filho Eterno - Cristóvão Tezza(Record) R$23,00
Trapo - Crstóvão Tezza (Record) R$33,00
Antonio - Beatriz Bracher (Ed.34) - R$28

Prêmio Portugal Telecom 2008




Logo mais às 21h( de Brasília) na Sala Fasano em São Paulo serão escolhidos os vencedores da edição 2008 do Prêmio Portugal Telecom. O troféu entregue aos 3 primeiros colocados é uma criação do artista plástico Paulo Von Poser.

Finalistas:Marília García ( 20 poemas para seu walkman) Beatriz Bracher (Antonio); António Lobo Antunes (Eu hei-de amar uma pedra); Julián Fuks (Histórias de literatura e cegueira); Nicolas Behr (Laranja seleta); Cristóvão tezza ( O filho eterno);Bernardo Carvalho (O sol se põe em São Paulo); Ondjaki (Os da minha rua); Paulo Henrique Britto (Tarde) Raimundo Carrero (O amor não tem bons sentimentos).
O angolano Ondjaki tem a torcida da comunidade LivroErrante no Orkut. Seu livro "Os Da Minha Rua"(imagem à direita) ainda está circulando entre os integrantes do grupo "Mama África" - literatura da África lusa.
O vencedor da edição de 2007 do Prêmio Portugal Telecom foi o português Gonçalo M. tavares, com o livro Jerusalém(imagem à esquerda).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Livros Infantis em Braile






A Escola Municipal Flávio Ribeiro Coutinho, precisa de livros de literatura infantil em braile; se você possui novo ou usado e quer doar em qualquer quantidade, faça contato com este blog.

O envio será feito diretamente do doador para e em nome da escola na cidade de Umbuzeiro - PB;

Blog e a comunidade Livro Errante do Orkut agradecem.

domingo, 26 de outubro de 2008



ABERTURA

DIA 06 (quinta-feira)
17h - Palavra do curador geral Antonio Campos

*Apresentação grupo Mestre Salustiano
*Aula Espetáculo de Ariano Suassuna
*Recital Negras Vozes
*Recital de Marcelino Santos (Moçambique), Quincy Troupe( EUA) , Rei Berroa (Rep.Dom.) e Thiago de Mello (Brasil)
*Lançamento dos livros Legado : Fliporto 2007, Daguerreótipos de Marcus Accioly, O Amor Não Tem Bons Sentimentos, de Raimundo Carrero e Solano Trindade, poeta do povo

Coquetel de confraternização

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Incentivo à leitura em Goiania - GO


A Secretaria Municipal de Educação (SME), em parceria com a Editora Paulus que doou 12 mil livros, está participando da entrega de livros de literatura infantil às crianças da cidade de Goiânia. O objetivo desse projeto, proposto pela editora, é dar oportunidade a elas de terem contato com livros e desenvolver o hábito de leitura.

Leitura e Participação
Com o apoio do Centro Livre de Artes, Museu de Artes de Goiânia, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal da Cultura, a Editora Paulus realiza, por três anos consecutivos, a doação de livros a crianças que já estão alfabetizadas. Por meio de ações como essas, espera-se que se possa disseminar o gosto pela leitura.
O gerente administrativo da Editora Paulus, Joel Rosa Braga, explica que as crianças têm se mostrado interesse pelo Kit que estão recebendo, composto de 6 livros de literatura infantil tais como: A água da vida (dos Irmãos Grimm), O urubu e o sapo e O velho e o tesouro do rei (de Silvio Romero), Conto de escola (de Machado de Assis), Brincando com advinhas (autores diversos), Brincando com provérbios populares (autores diversos) e O menino, seu avô e a árvore da vida (de José Bertolini).

Ele espera que 12.000 pessoas passem pelo o Museu de Arte de Goiânia, onde estão sendo entregues os livros e acontecem oficinas artísticas para as crianças das escolas municipais que estão visitando o museu e recebendo o kit de literatura. Joel destaca a importância do projeto. 'Acreditamos que esse evento sirva de incentivo para as crianças desenvolverem o gosto pela leitura. No ano passado, entregamos 54 mil livros em todo o Brasil, neste ano, estamos prevendo a doação de 60 mil', explica.
Para Paulo Ribeiro Sampaio, aluno de escola municipal, 10 anos, foi depois que teve acesso a livros diferentes e recebeu alguns livros de presente, passou a gostar de ler valorizá-los mais. 'Nesses livros têm muitas coisas interessantes que podemos ler, entender e aprender. Gosto de ler porque ganhei do meu pai alguns livrinhos que contavam umas estórias legais', revelou.

Promovendo a literatura
Ensinar às crianças a ler sempre foi o objetivo para os educadores, contudo mais desafiador ainda é incentivá-las a gostarem de literatura. Esta é a opinião da coordenadora de cursos voltados para literatura infantil, do Centro de Formação de Professores da SME, Regina Medeiros soares Alves. Ela destaca que ações como essas de doar livros às crianças podem ser um dos grandes norteadores para despertar o desejo de ler.
Antônio da Mata, diretor do Museu de Arte de Goiânia acredita que a leitura é uma das portas através da qual as crianças têm acesso a vários outros bens culturais, por isso, é preciso ter iniciativas relevantes como a de entregar livros para uma maior popularização da literatura. 'Acreditamos que esse evento sirva também para promover a arte e cultura. Significa o primeiro passo para novas possibilidades de abertura cultural no meio infantil', avalia.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

70 anos de Vidas Secas


VIDAS SECAS o mais conhecido livro de Graciliano Ramos completa 70 anos. 106 edições em português ratificam o sucesso.
Graciliano escreveu contos que foram inicialmente editados na Argentina, depois no Brasil e posteriormente é que reuniu todos fazendo, digamos assim, um livro desmontável. Sem de modo algum ser panfletário, Vidas Secas escancara a exploração, a miséria, o atraso social mais fortemente encontrados no Nordeste mas presente no Brasil inteiro. Infelizmente até hoje,70 anos depois. Somente o brilhantismo com que com que foi escrito explica o sucesso de um livro triste, sem qualquer gota de açúcar ou poesia.
Inconfundível, Graciliano está, ainda hoje, acima da média dos escritores brasileiros. E Vidas Secas, magro como ele, pesando muito mais que a maioria dos best selleres divulgados em nossos jornais.
O país continua em débito com um de seus mais fascinantes escritores.

sábado, 18 de outubro de 2008

O que pensa Rosikássia?

O que pensa Rosikássia
Joca Souza Leão

O candidato a vereador tinha prometido ao vigia do seu comitê, Karlisson, e à "bandeirista" de sua campanha, Rosikássia, que, se eleito, arrumaria emprego fixo pros dois. Karlisson sonhava comprar uma moto pra fazer de táxi em Carpina. Sua irmã, Rosikássia, não disse com que sonhava. Mas se sonhava, o sonho acabou. O candidato não se elegeu, nem suplência pegou. Praga? Yo no las creo.
Rosikássia, moça simples do interior, não tem o primário completo. Não sei com que sonha nem o que pensa. Mas que ela pensa, pensa, todo mundo pensa. Por certo, não um pensamento muito elaborado. Mas nem tudo na vida é tão elaborado e complicado. Algumas coisas são óbvias, tão na cara, escancaradas.
Pus-me a pensar no que pensaria ela agora, passada a eleição, de novo sem trabalho, de volta à casa dos pais, morando com seis irmãos, tirando Karlisson, todos mais novos que ela. "De que me valeram esses dois meses, trabalhando dez horas por dia pra ganhar dez mil réis, mais uma quentinha e um lanche? De nada. Pra isso serve emprego por um tempinho. Pra gente pensar que saiu do lugar sem sair".
Agitando bandeira na Agamenon Magalhães, Rosikássia conheceu meninos de rua, vendedores de quinquilharias, pedintes e lavadores de pára-brisa de carro. No dia seguinte e seguinte estavam todos lá, tão miseráveis quanto no dia anterior e anterior, como se nunca tivessem saído dali. Na avenida, só os carros passam. A vida deles só sai do lugar quando morrem.
Por um instante, pensou que se o candidato tivesse sido eleito, teria emprego fixo, carteira assinada, férias, décimo terceiro... "Mas e meus irmãos? Ninguém prometeu nada a eles. O certo seria que emprego não fosse coisa arrumada. Mas merecida e devida, que todo mundo tivesse direito, para se sustentar e melhorar de vida."
Um pensamento não lhe sai da cabeça, imagino: "Por que será que o doutor queria ser vereador? Um homem tão rico, já tem tudo que precisa e quer... Pra que danado gastou tanto dinheiro na campanha? Será qu"ele ia mesmo trabalhar pra melhorar a vida do povo? Duvido. Iria atrás de tudo que gastou e de mais algum." Ouviu dizer que vereador recebe dinheiro até pra comprar paletó, que pagam 100 reais no restaurante, escrevem 200 na nota e 100 vai pro bolso, que empregam tudo quanto é parente e amigo. "E não é emprego como o que prometeram pra gente, não. É de milhão pra cima. Vereador serve pra quê? Sei lá!"
Lembrou que lhe haviam dito no Recife que tudo que dá emprego às pessoas é bom. "Será?" - pensou. "Quer dizer que passar bicho, vender droga, virar puta, cobrar dízimo e roubar é bom por que dá dinheiro? Deus me defenda!"
Ah, Rosikássia! Se eu acreditasse Nele, diria com fé: "Deus lhe proteja".
E se fosse poeta, faria versos como Fernando Pessoa: "Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois. Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas..."

P.S. – Recebi vários telefonemas e 34 e-mails de leitores sobre a crônica de sábado passado, Com que sonha Rosikássia?, a qual foi republicada nos blogs Jornal da Besta Fubana e Livraria Kriterion (esta de Jairo Lima, em Natal). A de hoje, O que pensa... , foi sugestão de Roserlei

Link para "Com que sonha Rosikássia":http://livroerrante.blogspot.com/2008/10/com-que-sonha-rosikssia.html

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Um lugar de amor


Um lugar de amor

Heloisa Seixas
Certa vez, ao final de um show no bistrô que fica dentro da loja Modern Sound, em Copacabana, fiquei escutando enquanto uma repórter entrevistava a grande cantora da Bossa Nova, Leny Andrade. A repórter fez uma daquelas perguntas de praxe sobre se a cantora sentia algum nervosismo em dia de estréia, e Leny nem esperou que ela terminasse. Foi logo dizendo: “No instante em que piso no palco, estou segura. É como chegar em casa.”
Ao escutar isso, lembrei de uma frase parecida que ouvi do escritor Ruy Castro, ao falar sobre como se sente dentro de uma livraria: “Tenho a sensação de que, ali dentro, nada de mal pode me acontecer. Eu me sinto cercado de amor.” Segundo ele, há uma explicação para isso: é que as pessoas que se envolvem com livros – escritores, editores, livreiros, compradores – são, em 90% dos casos, apaixonadas por leitura. Donde, os livros transpiram esse amor.
É uma teoria interessante. E talvez isso explique por que as livrarias são lugares tão aconchegantes. Não falo dessas megastores em voga atualmente, que, embora muito úteis, parecem lojas de departamentos, mas sim daquelas livrarias pequenas, ou mesmo de porte médio, que ainda sobrevivem em várias grandes cidades pelo mundo afora.
E o que faz essas livrarias tão aconchegantes? São algumas características, que vou tentar descrever.
Primeiro, os livros. Por menor que seja a livraria, os livros devem, é claro, estar arrumados de maneira lógica, com espaços para ficção e não-ficção, com ordem alfabética por autor, e também com áreas específicas para livros de arte, livros para jovens ou infantis, livros de viagens, etc. Mas, ao mesmo tempo, deve reinar, em meio a essa arrumação, uma doce bagunça. Os livros devem estar dispostos de forma a convidar o leitor a manuseá-los, a tê-los nas mãos antes de se decidir pela compra. E as estantes precisam ser atraentes, bonitas, de preferência de madeira escura, fazendo lembrar uma daquelas bibliotecas inglesas que todos invejamos (como a do Professor Higgins em My fair lady, lembram?).
Outra coisa: é bom que o dono da livraria esteja sempre presente, andejando pela loja ou atrás do balcão.
Se isso não for possível, que pelo menos os vendedores tenham a cara da livraria, isto é, que nós possamos reconhecê-los e conversar com eles sempre que formos lá. É fundamental que vendedores de livrarias sejam pessoas que amem os livros, que gostem de ler e saibam o que estão vendendo. Adoro aquelas livrarias onde o vendedor conversa com a gente e faz sugestões, dizendo que leu tal ou tal livro e adorou.
É claro que o que vou dizer agora não é fundamental, mas bem que ajuda a criar um clima delicioso dentro de uma livraria: um café. Livrarias com cafés são comuns hoje em dia, mas, salvo engano, a pioneira foi a carioca Bookmakers, na Gávea, que infelizmente não existe mais. Aproximadamente na mesma época (mas creio que um pouco depois), a Argumento do Leblon abriu o seu café e hoje há até restaurantes dentro de butiques de roupa. Sair do cinema e ir fazer um lanche na Travessa (qualquer uma), no Rio, ou na Livraria da Vila (qualquer uma), em São Paulo, virou o programa mais natural do mundo.
E com razão. Quer coisa melhor do que se sentar à mesa com o livro que acabou de comprar e começar a folheá-lo enquanto entra por suas narinas um delicioso cheirinho de café? Ruy Castro está certo: a livraria é um lugar de amor.
_________________________________________
Heloisa Seixas é romancista, contista e cronista. Publicou nove livros de ficção e um de não-ficção, O lugar escuro
.

Feira de Frankfurt


Um provável mal-entendido na alfândega de Madri resultou em prateleiras vazias, Gilberto Gil faltou. Em compensação, brasileiro Murilo Antonio de Carvalho recebe Prêmio Leya, de literatura lusófona.
O Brasil chegou pronto para fazer bonito na Feira de Livro de Frankfurt, com estande mais central e planos para ampliar a exportação de títulos brasileiros. Mas o principal ingrediente da festa foi barrado na alfândega: em vez de livros, o estande brasileiro ostenta apenas prateleiras vazias.
Chegando ao corredor E do galpão 5.1 na Feira de Frankfurt, já se vê de longe o verde-e-amarelo do estande brasileiro. Ao se chegar mais perto, porém, um susto: debaixo das amplas placas anunciando "Brasil", apenas prateleiras vazias, seu tom prateado refletindo os holofotes. Ou quase vazias: em diversas delas foram espalhados catálogos, folhetos ou os poucos livros que vieram, na mala dos editores que resolveram se garantir.
Faltosos no estande brasileiro estão os 6.400 livros que ficaram presos na alfândega em Madri. O carregamento de uma tonelada, previsto para chegar na tarde de segunda-feira, foi barrado por motivos de segurança, segundo o burburinho que corria em volta do estande.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ofereço aos novatos.


O Perfume - Patrick Süskind
O livro conta a história de um homem que possui um olfato muito apurado mas não possui cheiro próprio.
A história situa-se no século XVIII, em Paris, depois em Auvergne, em Montpellier, em Grasse e finalmente retorna a Paris. O protagonista, Jean-Baptiste Grenouille, nasceu no meio de tripas de peixe atrás de uma banca, onde a mãe, que algumas semanas depois foi executada por infanticídios, vendia peixe. Grenouille possui duas características excepcionais:
Ele não tem cheiro nenhum, o que assusta sua ama e as crianças com quem ele vivem no orfanato, mas que permite que ele passe totalmente despercebido. Durante a história, essa ausência de odor, de que ele se dá conta somente bem mais tarde, será compensada pela criação de perfumes mais ou menos atraentes, que Grenouille utiliza de acordo com as circunstâncias a fim de ser notado pelos outros.
Ele tem um olfato extremamente desenvolvido, o que lhe permite reconhecer os odores mais imperceptíveis. Conseguia cheirá–los por mais longe que estivessem e armazenava–os todos no seu nariz. Esse olfato é sua única fonte de alegria, que ele aproveita para confeccionar, sem a mínima experiência, perfumes de qualidade excepcional.


Benjamim - Chico Buarque de Holanda
Girando em torno da obsessão pela morte de uma mulher, um enigma na vida do protagonista, 'Benjamim', o segundo romance de Chico Buarque, narra a história de um ex-modelo fotográfico que, como uma câmara invisível, vê o mundo desfilar diante de seus olhos sob uma atmosfera opressiva. Sem conseguir distinguir o que vê fora de si do seu passado, e de si mesmo, Benjamim avança, pouco a pouco, em direção ao destino trágico que sua obsessão lhe reserva. O clima opressivo é resultado do próprio estilo de narrar.

1968 o Ano Que NãoTerminou - A aventura de uma geração - Zuenir Ventura
O livro “1968 O ano que não terminou: a aventura de uma geração” (Editora Nova Fronteira, 1988,314 páginas) é o resultado de 10 meses de trabalho e pesquisa do jornalista, que no melhor modelo de “jornalismo de reconstrução”, relata fidedignamente os acontecimentos e personagens do Brasil de 1968, evita tender para um dos lados, apontando falhas e exageros de todos os ângulos. Pode-se dizer que é um “livro de história”, com a diferença de possuir uma linguagem literária.Em meio a um irônico bom humor e visão aguçada, Zuenir relata a apaixonada ascensão do movimento estudantil e os prováveis erros da esquerda que culminaram no fatídico 13 de dezembro e o Ato Institucional número 5 (AI5). Passeia também pela atitude inconformada da mulher brasileira que deseja experimentar maiores liberdades e desvincular-se daquele modelo paternalista de casamento, que era o das gerações anteriores.

O General Em Seu Labirinto - Gabriel García Márquez
Conta os episódios da viagem pelo Rio Magdalena até a morte do libertador no dia 17 de dezembro. Feito a partir de documentos recolhidos e cartas de Bolíviar, Márquez mostra que, depois da independência, as jovens nações latino-americanas iniciaram um processo cíclico de guerras civisi, corrupção e subserviência às nações européias e à emergente nação norte-americana. Simón Bolívar foi hostilizado nos seus últimos dias. Hoje, as nações lhe rendem estátuas e homenagens, mas falharam em apoiar suas idéias num momento crucial, que poderia ter mudado o destino trágico da América Latina nos próximos anos.

Inventário - Elisa Lispector
"De olhos fechados, configurei, num jogo entre maravilhoso e aterrorizante, o nascer do mundo, o surgir da vida, a gelatina informe e incolor que seria a célula-mater da criação a pulsar pausada e intermitentemente. Comoventemente só e indefesa na desolação infinita do universo.

Pois havia chegado o dia em que viver tornou-se temerário. Perigoso o mínimo impulso."
(2 primeiros parágrafos do conto Inventário que dá nome ao livro.)


Fizemos Bem Em Resistir - Affonso Romano de Sant'Anna
50 crônica selecionadas das coletâneas A mulher madura,O homem que conheceu o amor,a raiz quadrada do absurdo, De que ri a Mona Lisa? E Mistérios gozos. Conforme diz A Romano:"a crônica éuma maneira de ver o mundo,escrevê-la é uma forma de participar e interferir no cotidiano."


Objecto Quase - José Saramago
6 contos, que variam entre absurdos, cômicos e líricos do autor português contemporâneo mais querido pelos brasileiros.

___________________________________________________________________
Estes livros estão sendo oferecidos aos novatos e ou quem estiver sem livro algum na comunidade LivroErrante.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Fliporto - 2008 (Feira Literária Internacional de Porto de Galinhas)


A Feira Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto) do mesmo modo como fez na edição do ano passado,prepara o balneário para homenagear, de 6 a 9 de novembro, o continente africano que, ao lado da América Central, é tema deste quarto ano do evento. "Trilhas da Diáspora. Literatura em África e América Latina". Leva a lembrar que Porto de Galinhas tem este nome porque no passado foi porto de tráfico de escravos.
Site da feira: www.fliporto.net.

domingo, 12 de outubro de 2008

A Quarentena - J.M.G Le Clézio


O livro A Quarentena de Le Clézio, ganhador do Prêmio Nobel desta ano, vai circular na Comunidade Livro errante

Este é um livro sobre o mar. Um romance de aventuras, uma meditação sobre a natureza, uma fábula sobre a potência do amor. Terminada a leitura, estamos esvaziados, como se tivessem nos submetido a uma misteriosa provação física - privilégio das grandes obras, que nos dão a verdadeira medida de uma experiência literária. A quarentena é o período que um grupo de europeus é obrigado a passar numa ilha, onde estarão entregues a si mesmos, à doença, ao medo, à incompreensão e ao ódio. A ilha, lugar fechado e aberto ao mesmo tempo, figura clássica da utopia política, será para eles a antecipação do inferno. Mas será também o berço da intimidade em êxtase e do delírio amoroso. J. M.G. Le Clézio nasceu em Nice, em 1940. Estudou no Collège Littéraire Universitaire de Nice e é doutor em letras. Em 1963 publicou seu primeiro romance, Le procès-verbal. Sua obra alcança hoje cerca de trinta volumes, entre poesia, ficção e ensaios.

sábado, 11 de outubro de 2008

Com que sonha Rosikássia?

Com que sonha Rosikássia?
Joca Souza Leão


Alguém já lhe rogou praga? Pois me rogaram. Não sei quem. Mas que rogaram, rogaram. E praga braba: um comitê de candidato a vereador perto da minha casa. Sabe o que são dois meses com a mesma música de propaganda eleitoral a todo volume no pé-do-ouvido, a lhe atazanar o juízo? Decorei o número do cara, claro. É de rombo, como se diz em bingo. Quando sair a relação dos eleitos, antes de ver com quantos votos se elegeu a minha candidata, vou conferir em qual suplência ficou o sacripanta. Praga por praga também sei rogar. Nunca pegou. Mas dessa vez vai pegar. Pode crer.
Na quinta passada, último dia em que a lei(?) permitiu a zorra (alto-falantes berrando, carros estacionados em locais proibidos e atrapalhando o trânsito), fui conhecer o território do inimigo. Puxei conversa com os irmãos Rosikássia e Karlisson, escritos assim, com k, eles soletraram pra mim. Até amanhã, dia da eleição, os dois estão, por assim dizer, empregados no comitê. Se o candidato emplacar, Karlisson espera que ele cumpra a promessa e arranje emprego pros dois.
Karlisson tem 22 anos e Rosikássia, 19. São de Carpina. Karlisson é um camarada entroncado, falante, olhos vivos e verdes, cabelo crespo e arruivado, que antigamente se chamava sarará. Rosikássia é uma moça bonita, mas nem parece se dar conta. Morena, boa altura, cheinha, cabelo preto longo e muito liso, olhos castanhos ligeiramente puxados, parece uma indiazinha. Sem maquiagem e muito tímida. O que eu lhe perguntava, o irmão respondia. Ela apenas esboçava um ar de riso, logo escondido pela mão em concha sobre os lábios. Há dois meses os dois moram no tal comitê, no que antes fora o quarto de empregada, nos fundos da casa.
Karlisson é um faz-tudo: vigia, faxineiro, contínuo, quebra-galho de eletricista e encanador, pintor de faixa, o escambau. "E quando a esposa do doutor me vê aqui encostado, me dá logo uma bandeira e me manda pra rua." Rosikássia é, oficialmente, "bandeirista". Passa o dia inteiro na Agamenon Magalhães, agitando o mastro de uma bandeira enorme. "Ela só conhece o Recife daqui pra Boa Viagem, porque foi numa carreata em cima de um trio elétrico. Chegou aqui de volta mouquinha com a zoada do trio", contou Karlisson.
O dia dos irmãos começa cedo, 5h30 tão de pé. Enquanto Rosikássia lava a roupa dos dois e faz o café, Karlisson varre o quintal da casa e a calçada da frente. Café tomado, Rosikássia ajuda o irmão na faxina. "Aí, ela vai pra Agamenon garantir o ponto, se não os bandeiristas dos outros candidatos pegam."
Rosikássia ganha "dez mil réis por dia, mais uma quentinha no almoço e um lanche (sanduíche e refrigerante) no finzinho da tarde. Come lá mesmo, no ponto dela". Quando Karlisson consegue uma folga, leva água e biscoito pra irmã. "E as necessidades?", perguntei. "Ah, ela fez amizade com as meninas do Bompreço e usa o sanitário de lá."
Karlisson ganha "um salário". Sem carteira, que aliás ele nem tem. Em Carpina também vive de bico. Como trabalham todos os dias, não têm com o que gastar. Nesses dois meses, tiveram dois dias de folga. Karlisson comprou uma calça jeans, uma "camiseta de boy" e um tênis. Rosikássia comprou saia, blusa, sandália, uma pulseirinha e um par de brincos. "Meu sonho era juntar dinheiro pra dar de entrada numa moto e fazer de táxi lá em Carpina", disse Karlisson sorridente, para logo em seguida desfazer o sorriso: "Mas não vai dar, não. A entrada é bem 500 contos e tem que ter emprego fixo pra garantir a prestação."
Quis saber se a música do candidato, repetida ad aeternum e naquele volume, os incomodava. "Nem ouço mais, doutor. Não sei nem direito o que é que diz. Só sei o nome do homem porque é meu patrão. Sou eu mesmo quem ligo o som. Dia desses, esqueci de desligar e dez da noite os vizinhos vieram reclamar."
Depois dessa conversa, fiquei com remorso da minha praga. Não sei o que faça. Nem ao menos sei como se desfaz uma praga. Se ela pegar, adeus empregos. A moto de Karlisson vai ficar no sonho. E Rosikássia... Sonha com quê?

Publicado no Jornal do Commércio - Recife 004/10/08
Joca Souza Leão é publicitário e cronista jocasouzaleao@gmail.com

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Le Clézio: Nobel de Literatura 2008


Jean-Marie Gustave Le Clézio,(França) é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2008. A Academia considerou Le Clézio "um escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de uma humanidade além e acima da civilização reinante".
J.M.G Le Clézio tem cerca de 50 livros publicados, segundo o Le Monde.
O prêmio Nobel de literatura consiste em 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão ou R$ 2,63 milhões), uma medalha de ouro e um diploma.

Le Clézio, de 68 anos, vive entre Albuquerque, no Novo México, a ilha Maurício e Nice, cidade francesa onde nasceu em 13 de abril de 1940. Formado em Letras, é autor de romances, contos, ensaios, novelas, literatura infanto-juvenil, e ainda jovem, aos 23 anos, ganhou o prêmio literário Renaudot pelo seu livro Le Procès-verbal, chamando a atenção para sua literatura.

Livros publicados no Brasil:

À Procura do Ouro (Brasiliense, 1985)
O Deserto (Brasiliense, 1986);
Diego e Frida (Escrita, 1994)
A Quarentena (Companhia das Letras, 1997)
Peixe Dourado (Companhia das Letras, 2001) e
O Africano, (Cosac & Naif, 2007). Os três últimos ainda podem ser encontrados nas livrarias.

Em entrevista concedida ao jornalista José Catello, à época do lançamente de A Quarentena, Le Clézio admitiu influência de Os Sertões de Euclides da Cunha
Por ocasião do lançamento de seu livro A Quarentena no Brasil, em 1997, o escritor concedeu uma entrevista ao jornalista José Castello, à época colaborador do Estado, em que admitia influência de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Seu romance reflete a aventura de sua família, que emigrou da Bretanha, na França, para a Ilha Maurício - antiga Ilha de França, no Oceano Índico -, ainda no século 18. Segundo Le Clézio, os livros que o influenciaram definitivamente para compor sua obra foram os de Robert Louis Stevenson, como A Ilha do Tesouro e Kidnapped, "para mim o romance mais espetacular que Stevenson escreveu". Outro, segundo o escritor, foi Os Sertões, de Euclides da Cunha. "Eu diria que, ao começar a escrever A Quarentena, quis fazer um livro que ficasse entre Kidnapped e Os Sertões, isto é, que ficasse entre uma aventura literária e uma reportagem.

(Fonte: Estadão)
"A Quarentena"- já está sendo oferecido (Elizete) na comundade LivroErrante
"À Procura do Ouro" - vai ser disponibilizado (Regina) na comunidade LivroErrante

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Nobel de literatura 2008: amanhã dia 9


Amanhã dia 9 às 13h de Brasília a Academia Sueca, anunciará o ganhador do mais cobiçado prêmio literário do mundo: o Nobel. Na edição de 2007 a alemã de 88 anos, Doris Lessing, (imagem à direita) foi a vencedora.`
Para a premiação deste ano a Ladbrokes, casa de apostas de Londres, apresenta o italiano Claudio Magris (imagem à esquerda)como favorito do público. Outros autores são: Amós Oz (Israelense) Joyce Carol Oates (americano) Adonis (Sirio Libanês)Thomas Pynchon (americano) Margaret Awoon (canadense) Bob Dylan(americano).

Confira abaixo a lista dos últimos 10 ganhadores do prêmio:
- 2007: Doris Lessing (Reino Unido)
- 2006: Orhan Pamuk (Turquia)
- 2005: Harold Pinter (Reino Unido)
- 2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
- 2003: J.M. Coetzee (África do Sul)
- 2002: Imre Kertesz (Hungria)
- 2001: V.S. Naipaul (Trinidad/Reino Unido
- 2000: Gao Xingjian (China)
- 1999: Gunter Grass (Alemanha)
- 1998: José Saramago (Portugal)

Qualquer que seja o vencedor, será o primeiro de seu país pelo menos nos ultimos 10 anos.
Vote na enquete abaixo, quem ganhará do Prêmio Nobel de Literatura de 2008

domingo, 5 de outubro de 2008

Realidade Virtual - Fred Matos


Olegário emudecia e se sentia marginalizado quando no escritório os colegas comentavam os bate-papos virtuais na Internet. Era como se conversassem em uma língua estrangeira sobre um universo que ele não conhecia. Nestes momentos preferia se afastar a deixar que soubessem que ainda ignorava a high-tech. Foi por isso que comprou um microcomputador e ingressou na nova confraria. Não podia prever que aquilo iria mudar sua vida.

Instalado o aparelho, contratado um provedor de acesso ao ciberespaço, inscreveu-se nas dezenas de listas de discussões indicadas pelos colegas e não demorou a ter participação ativa e cotidiana em encontros on-line para conversar sobre literatura, política,filosofia,e uma infinidade de outros assuntos pelos quais tinha interesse.Quando chegava em casa engolia o jantar com urgência de condenado e corria para o micro. Nos fins de semana recusava-se a sair, apesar dos queixumes dos filhos e de Lívia, sua esposa.

Um dia se assustou quando percebeu que já clareava, que não sentira o tempo passar e que, insone, teria que ir trabalhar. Sem perceber viciou-se, logo ele, que se orgulhava de nunca se ter rendido ao álcool ou ao fumo. Cogitou controlar-se, estabelecer horário. Nessa noite excedeu apenas dez minutos a hora marcada e, para surpresa da mulher, há muito não visitada, esmerou-se nas carícias preliminares, mas, debilitada pela noite perdida, virou-se para o lado e ferrou em sono profundo imediatamente após o gozo, frustrando-a dos carinhos posteriores a que estava habituada.

No dia seguinte excedeu o tempo estipulado em meia-hora, mas, após breve cochilo, levantou-se e tornou a ligar o micro. Concluiu que aquela vida era, agora, para ele, mais importante que a vida real, e se entregou de corpo e alma à virtualidade. Em seu benefício diga-se que fez esforços para que Lívia ingressasse também no novo mundo: ofereceu-lhe comprar outro computador e instalar uma nova linha telefônica, assim, ele pensou, poderiam conversar como há muito não faziam. Ela achou um despropósito.

Varando as madrugadas, ele que se orgulhava da pontualidade, começou a se atrasar para o trabalho e a acumular faltas. Foi despedido. Calculou que o valor recebido na rescisão contratual, somado ao do saque do fundo de garantia e ao montante que tinha em depósitos de poupança, seria suficiente para manter-se por dois anos sem alterar o padrão de consumo da família e não cuidou de procurar um novo emprego. À mulher justificou-se dizendo que depois de 20 anos de trabalho merecia pelo menos seis meses de férias, após o que, com a sua experiência e o bom conceito que gozava no mercado, não teria nenhuma dificuldade para encontrar uma firma que o contratasse. Ela não tinha com o que se preocupar,garantiu-lhe.

Os seis meses passaram voando e ele dilatou o prazo para um ano. Refez as contas e verificou que, apesar do substancial aumento do custo de telefone, como estava economizando bastante em combustível, vestuário e lazer, as reservas financeiras seriam suficientes para um período maior que o anteriormente calculado.

No início Lívia acreditava que aquilo era uma fase que mais dia menos dia seria superada: “logo seu pai estará entediado, tenha paciência meu filho” ela consolou Ricardo, o primogênito, carente da companhia do pai, que antes da internet levava-o a todos os jogos do Vitória. Depois, vendo que o marido alheava-se de tudo, sequer dando atenção às ameaças que fazia de abandoná-lo, ela procurou um psicólogo conseguindo que ele viesse à sua casa, já que Olegário só levantava da cadeira para satisfazer as necessidades fisiológicas. Dali não arredava pra mais nada, nem pra comer, nem pra dormir.

A reação do marido à visita do psicólogo, expulsando-o do seu gabinete com palavras de baixo calão, foi a gota d’água. Olegário não desviou o olhar do monitor, não afastou as mãos do teclado sequer disse qualquer palavra quando, malas nas mãos, Lívia e os filhos vieram avisá-lo que estavam indo embora. O único inconveniente, Olegário pensou, é que agora terei que me levantar até pra beber água.

Uma semana depois, Leonardo, um colega de virtualidade que morava no mesmo bairro, estranhou que, embora estando on-line no ICQ, Olegário não respondia aos convites para chat. Resolveu fazer uma visita, era uma oportunidade e uma desculpa para conhecer pessoalmente aquele camarada inteligente e espirituoso.Tendo sido informado pelo porteiro que Olegário fora abandonado pela família e que, desde então, ninguém no apartamento atendia o interfone e não abria a porta nem mesmo para se livrar do lixo, Leonardo intuiu uma desgraça e chamou a polícia.

Olegário foi encontrado desacordado sobre o teclado em estado de inanição profunda. Agora faz fisioterapia para recuperar a atrofia das pernas. Reconciliou-se com Lívia e aceitou passar uma temporada em uma clínica para tratamento de drogados. Já está com uma aparência mais saudável e aguarda ansioso o dia de receber alta, porque tem muitas novidades para contar nos bate-papos virtuais, mas sabe que disto deve manter segredo.

Extraído, com autorização do autor, do livro Melhor Que a Encomenda – Funcultura Bahia 2006.
Leia também: Eu Meu Outro e Anomalias (poesia)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Cidade do Livro - São Paulo




O espaço, está aberto ao público nos dias 4, 11, 18 e 25 de outubro
Os passeios têm duas horas e meia de duração e são monitorados. As crianças são divididas em dois grupos: kids, entre três e oito anos, e teens, entre nove e 12 anos.
Criada há 11 anos, a Cidade do Livro é um espaço cenográfico tematizado, com vários ambientes específicos distribuídos em uma área de 2.000 m2. foi criado em 1997
"O Futuro do Planeta" é tema deste ano. A cidade cenográfica tem:Livraria, Prefeitura, Vila do Saber, Bicholândia, Lava Rápido, Castelo das Delícias e Praça do Papel.


Endereço:
Alameda Afonso Schimidt, 877 Santa Terezinha - Zona Norte - (11) 6959-6179
http://www.cidadedolivro.com.br/
(da Folha de São Paulo/site da cidade do livro)

Rua Santa Gata - Tereza Halliday




RUA SANTA GATA
Tereza Halliday
Dava gosto morar na rua Santa Gata. No tempo em que a palavra “bucólico” ainda estava em uso, aplicava-se perfeitamente àquele trecho da cidade: três quarteirões arborizados, casas cheirando a jasmim e sossego. O gato Ismael, “propriedade” coletiva dos moradores, orgulhava-se por ter uma irmã em pelo e gaticidade elevada ao panteão das almas sem mácula. Gata milagreira, a quem os humanos atolados “neste vale de lágrimas” encaminhavam súplicas.

Contritos, os residentes pronunciavam a jaculatória: “Santa Gata, rogai por nós”. Ismael fazia o mesmo, em miaus fervorosos, antes das escapadas por becos, muros e telhados, no período da noite avançada que os ingleses chamam “ungodly hours” – horas sem reverência a Deus. Sua devoção o protegia de atropelamentos, quedas, chutes, balas perdidas, comida envenenada. Salve, Santa Gata, irmã de misericórdia e esperança nossa. Salve!

Um espírito de porco – pois espírito de gato jamais diria uma coisa assim – jurava que nunca existiu uma gata canonizada. “Se a Igreja Católica nem reconhece alguns santos-gente consagrados pelo povo, que dirá um felino!” Segundo esta versão malévola, a rua se chamava originalmente Santa Ágata - com acento no primeiro a. A letra inicial fora corroída pela ferrugem na placa de metal, modelo antigo, restando a grafia “Santa gata”.

Essa explicação jamais me convenceu. Pois corre a lenda que uma gatinha cor de todos os gatos tornou-se reverenciada por amamentar os bebês das catadoras de lixo naquelas redondezas, enquanto elas os deixavam aos cuidados da felina mãe e iam trabalhar. Seu leite farto e seu amor de gata forneceram a energia extra que impulsionou várias crianças daquela humilde origem a irem mais longe na vida. Isto sim: o nome da minha rua era justa e digna homenagem àquela gata babysitter que, além do farto produto de suas tetas, prodigalizava o leite da ternura felina.

Foi então que aconteceu a injustiça, a indignidade. Um feio dia, percebemos que a rua Santa Gata mudara de nome. Novas placas patrocinadas por fabricantes de mouse de computador e ração para gato apareceram fincadas nas esquinas, dando prioridade ao marketing, em vez do serviço público: os nomes das empresas e marcas apareciam em letras graúdas e coloridas. Abaixo, em letras miúdas, pouco legíveis à distância, estava escrito: “Rua Deputado Fulustreco Jeton”.

Santa Gata foi destronada por uma “Excelência” qualquer! As placas azuis com letras brancas, ostentando o nome antigo, digno e verdadeiro, foram para o vendedor de ferro-velho, na pilha “saudades não recicláveis”. Resta o consolo da praga milenar: quem desrespeita gato tem sete anos de atraso. Se for usurpador de nome de rua que o povo consagrou, recebe setenta vezes sete anos de maldição. E, se apagar o registro de uma história de bondade... aí, não entrará mesmo no Reino dos Céus.

Diário de Pernambuco

A-11 Edição 29/09/08