quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Matilha


Na comunidade LivroErrante,tudo serve de motivo para formar grupo de leitores. O mais recente, A Matilha, por exemplo surgiu no momento em que uma de nossas mais ativas participantes, notou que havia muitos "lobos" ( e variantes) em sua estante. Dai, em terreno fértil, foi só lançar a ideia oferecendo os livros:

1 - Na Terra dos Lobos, Jack London.
2 - O Lobo do Planalto , Paulo Dantas
3 - O Verão do Lobo Vermelho, Morris West
4 - O Lobo da Estepe, Herman Hesse
5 - Cabeça de Lobo, J.K. Mayo
6 - O Cachorro e o Lobo, Antônio Torres
7 - O Lobo do Mar, Jack London
8 - O Último Lobo dos Cárpatos, Heins G. Konsalik
9 - Entre Lobo e Cão, Julieta de Godoy Ladeira
10 -Um Lobo Solitário, Graham Greene
11 - A Loba da França,Maurice Druon
12 O Lobo e a Pomba,Ktheleen Woodwiss

Até música dos anos 60, foi postada para enfeitar o mais novo grupo de livro errante.

Lobo Bobo
Carlos Lyra/ Ronaldo Bôscoli

Era uma vez um lobo mau/Que resolveu jantar alguém/Estava sem vintém/Mas arriscou
E logo se estrepou/Um chapeuzinho de maiô/Ouviu buzina e não parou/Mas lobo mau insiste/
E faz cara de triste/Mas chapeuzinho ouviu/Os conselhos da vovó/Dizer que não pra lobo/
Que com lobo não sai só/Lobo canta/Pede, promete tudo, até amor/E diz que fraco de lobo/
É ver um chapeuzinho de maiô/Mas chapeuzinho percebeu/Que lobo mau se derreteu/
Pra ver você, que lobo também/Faz papel de bobo/Só posso lhe dizer/Chapeuzinho agora traz/
O lobo na coleira/Que não janta nunca mais. Lobo bobo...

O grupo cujo início foi atrasado por causa da greve dos Correios, já está em andamento e os livros começam a chegar a seus destinatários..

segunda-feira, 28 de julho de 2008

L.E A Volta ao Mundo



Novo grupo em formação, 10 pessoas para 10 regiões... Cada integrante apresentará 2 a 5 livros de autores de cada região conforme divisão abaixo:

MATHIAS (AMÉRICA DO NORTE)
O SOL POR TESTEMUNHA - Patrícia Highsmith (USA)
UMA CASA NO FIM DO MUNDO - Michael Cunningham (USA)

LIGIA (PAÍSES NÓRDICOS)
CONTOS DE FADAS RUSSOS - Aleksandr Afanas’ev(Rússia)
EI! TEM ALGUÉM AÍ? - Jostein Gaarder(Noruega)
CASA DE BONECAS - Henrik Ibsen(Noruega)
AS TRES IRMÃS - Tchekhov (Rússia)

LUCILA (OCEANIA)
FELICIDADE - Katherine Mansfield (Noca Zelândia)
AS SANDÁLIAS DO PESCADOR - Morris West (Austália)
O EMBAIXADOR - Morris West
ARLEQUIM - Morris West

JULYANA (EUROPA OCIDENTAL)
COISAS FRÁGEIS - Neil Gaiman(Inglaterra)
VIDAS MINÚSCULAS - Pierre Michon(França)
PARIS NÃO TEM FIM - Enrique Vilas-Matas(Espanha)
ESTE É O MEU CORPO - Filipa Melo(Angola)

ALEXSANDRO (BRASIL)
MORTE E VIDA SEVERINA E OUTROS - João Cabral de Melo Neto(PE)
A MULHER NO ESCURO - Claudia Vasconcellos
SADE EM SODOMA - Flavio Braga(SP)
EU, CASANOVA, CONFESSO - Flavio Braga
ENQUANTO PETRÔNIO MORRE - Flavio Braga

EVA LUNA (LESTE EUROPEU)
A IMORTALIDADE - Milan Kundera(Rep.Tcheca)
A IDENTIDADE - Milan Kundera
AS BRASAS - Sándor Marai(Eslováquia)

MARCIA REGINA (AMÉRICA LATINA)
O REINO DESTE MUNDO - Alejo Carpentier(Cuba)
O INFORME DE BRODIE - Jorge Luis Borges(Argentina)
RELATO DE UM NÁUFRAGO - Gabriel García Marquez(Colômbia)
O LIVRO DOS ABRAÇOS - Eduardo Galeano(Uruguai)
QUEM DE NÓS - Mário Benedetti(Uruguai)

SILVIA HELENA (ÁSIA) -
SUA RESPOSTA VALE UM BILHÃO - Vikas Swarup(Ìndia)
O DEUS DAS PEQUENAS COISAS - Arundhati Roy(Ìndia)
O PAÍS DAS NEVES - Yasunari Kawabata(Japão)

REGINA (ÁFRICA)
O PÃO NU - Mohamed Choukri (Marrocos)
O BEBEDOR DE VINHO DE PALMA/PALMEIRA - Amos Tutuola(Nigéria)

IZA (ORIENTE MÉDIO)
A MULHER DE PEDRA - Tariq Ali (Paquistão)
SOMBRAS DA ROMANZEIRA - Tariq Ali(Paquistão)

domingo, 27 de julho de 2008

Vestibular - livros mais indicados

Biografia - Eça de Queirós





Poemas Completos de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa
Lira dos Vinte Anos-Álvares de Azevedo
Iracema-José de Alencar
O Cortiço-Aluísio de Azevedo




  


O Ateneu-Raul Pompéia
Biografia-Machado de Assis







Romanceiro da Inconfidência-Cecília Meireles
Grande Sertão: Veredas-Guimarães Rosa
Biografia-Guimarães Rosa
Sagarana-Guimarães Rosa Rosa
Vestido de Noiva-Nelson Rodrigues
Auto da Compadecida-Ariano Suassuna
A Hora da Estrela-Clarice Lispector
Seminário dos Ratos-Lygia - Fagundes Telles
Dois Irmãos-Milton Hatoum



Fonte:Guia do Estudante- vestibular - Ed.Abril

Asas da Sabedoria







Asas da Sabedoria
Lígia Guedes


Conta a lenda que em uma terra nem tão distante assim, vivia o povo mais criativo, feliz e inteligente que possa ter existido entre todos os reinados. Fato este motivado pela escolha de se manter de mãos dadas a inteligência e criatividade, verdadeiras “asas da imaginação”.

Previsto que tais notícias logo chegaram aos reinos distantes onde a priorização da inteligência como única forma de caminhada está a pautar a agenda íntima desses seres onde o orgulho assume as trilhas a serem percorridas.

Consumado, ainda, que foi encaminhado um mensageiro ao reinado criativo, informando que deveriam entregar aos reinos distantes, as preciosas fontes de criatividade que continham a sabedoria deste povo. Tal como anunciado, foi cumpriu o prometido e naquela turva manhã foram recolhidos os preciosos mecanismos de sabedoria viva a razão humana.

Passaram-se séculos e ficou esquecido este criativo povo por se pensar finda a sabedoria em seu reino.

O que nunca se soube, conta a lenda, é se os livros deste sábio e criativo reinado sitiado, literalmente ‘voaram’ mundo afora, ou foram os nobres integrantes desta terra que lhe deram asas. Agora são como anjos que vivem espalhados por toda a parte em que possam estar (praças, ruas, meios de transporte), onde as estantes, bibliotecas, cheias ou vazias, serão apenas como um doce lar a retornar após uma longa e feliz viagem.

São as próprias “Asas da Sabedoria” que os conduzem, literalmente, de mãos em mãos, ininterruptamente.

sábado, 26 de julho de 2008

Prêmio Camões de 2008



Sexta -feira,25 de julho foi anunciado o vencedor da vigésima edição do Prêmio Camões de Literatura, instituido em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil:

JOÃO UBALDO RIBEIRO .
Autor de:
Romances
Setembro Não Tem Sentido - 1968
Sargento Getúlio - 1971
Vila Real - 1979
Viva o Povo Brasileiro - 1984
O Sorriso do Lagarto - 1989
O Feitiço da Ilha do Pavão - 1997
A Casa dos Budas Ditosos - 1999
Diário do Farol - 2002
Contos
Vencecavalo e o Outro Povo - 1974
Livro de histórias - 1981. Reeditado em 1991, incluindo os contos "Patrocinando a arte" e "O estouro da boiada", sob o título de Já podeis da pátria filhos
Crônicas
Sempre aos Domingos - 1988
Um Brasileiro em Berlim - 1995
Arte e Ciência de Roubar Galinhas - 1999
O Conselheiro Come - 2000
A Gente se Acostuma a Tudo - 2006
Ensaios
Política: Quem Manda, Por Que manda, Como Manda - 1981
Literatura infanto-juvenil
Vida e Paixão de Pandomar, o cruel - 1983
A Vingança de Charles Tiburone - 1990
E do primeiro livro virtual lançado no Brasil:Miséria e Grandeza do Amor de Benedita (2000)

Outros brasileiros já premiados foram:
João Cabral de Melo Neto - 1990
Raquel de Queiroz - 1993
Jorge Amado - 1994
Antônio Cândido 1998
Autran Dourado - 2000
Rubem Fonseca - 2003
Lygia Fagundes Telles - 2005
Na mesma ocasião do anúncio do vencedor da 2oª edição, também foi entregue a prêmio ao vencedor da edição de 2007, o português: António Lobo Antunes, conhecido no Brasil pelos livros:
Os Cus de Judas-Ed.Objetiva (este em circulação na comunidade LivroErrante); A Ordem Natural das Coisas Ed.Rocco.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

25 de julho dia do Escritor


Dia do Escritor: comemorar o que?

O gaúcho Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras e escritor dos bons, fora todas as suas qualidades pessoais, diz que há, sim, bons motivos para comemorar o Dia Nacional do Escritor. Em primeiro lugar, diz, há uma clara evolução de um ofício que nem sempre foi reconhecido no País. Sem deixar de apontar problemas e dificuldades nos diversos elos da cadeia do livro e da leitura, Scliar lembra que as limitações para a literatura sempre foram muito grandes no Brasil: baixo poder aquisitivo da população, altas taxas de analfabetismo e, por muito tempo, a censura.- Mas, para nosso orgulho, conseguimos superar muitos destes obstáculos. Hoje, temos uma literatura consolidada, temos um sistema editorial, temos uma escola em que os alunos são estimulados (e não obrigados, como acontecia antes) a ler.Enfim, não há porque fechar a cara e ficar emburrado pelos cantos. ( do blog do Galeno)

LivroErrante - para quem não sabe...

LivroErrante: grupo de pessoas da comunidade do Orkut, que forma grupos para,entre si, trocar livros de forma sistemática e organizada com roteiro definido, prazos etc. Os livros são enviados pelos correios quando os integrantes residem em cidades diferentes ou pessoalmente quando possível. Voltam aos respectivos donos quando terminam o ciclo.

Várias pessoas da mesma comunidade também deixam livros em lugares públicos para que sejam achados,lidos e novamente deixados em lugares públicos. Estes livros não voltam aos seus donos.

A comunidade Livro Errante também está formando a biblioteca de duas escolas públicas. Uma delas, que encerrará em outubro, é na cidade de Poços de Caldas - MG e a outra, que finalizará em fevereiro 2009, fica na zona rural da cidade de Umbuzeiro-PB

Nós da comunidade Livro Errante, gostaríamos muito de saber que outros grupos ou instituições estão formando outras bibliotecas em escolas carentes.

Aceitamos também a colaboração de editoras, autores, unidades filantrópicas; para isso basta fazer contato através do blog.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Oasis da educação no Brasil













A mais alfabetizada
 
Menos de 1% da população com mais de 15 anos de São João do Oeste,oeste catarinense, é analfabeta. A taxa é semelhante à do Japão. A erradicação do analfabetismo se deve ao empenho de padres de origem alemã, que construíram uma igreja e uma escola na cidade logo que a região foi povoada, nos anos 30.
 
Sobre a cidade:
Fundada em 1992 - área: 162Km2 - população:6.020 hab. - dens. demográfica:31,8h/km2
(Fontes: Revista Veja ed.2070 de 23/07/2008 e Wikipedia)

A maior freqüência escolar:
Desde 2006 não há evasão escolar em Orindiúva no noroeste paulista. A conquista, semelhante à da Finlândia, garantiu ao município o primeiro lugar no ranking de responsabilidade fiscal e social elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios.

Sobre a cidade:Fundada em: 1964 -área: 249 km² - população:3916hab - dens. demográfica : 15,73 hab/km²

(Fontes: Revista Veja ed.2070 de 23/07/2008 e CityBrasil)

terça-feira, 22 de julho de 2008

No tempo do Mestre Graça... 1936 a 1939



1936
03/mar: é preso em Maceió-AL e levado para o Rio de Janeiro
Em ago, publica Angústia (romance), seu terceiro livro, pela Editora José Olympio - RJ
Angústia recebe o Prêmio Lima Barreto, instituído pela Revista Acadêmica
Inauguração da Rádio Nacional – RJ
Inicio da construção do Estádio do Pacaembu-SP
Música: Palpite Infeliz- Noel Rosa
Pierrô Apaixonado - Heitor dos Prazeres e Noel Rosa
Cinema: lançamento de Alô Alô Carnaval- com Carmem Miranda

1937
03/jan: é libertado no Rio de Janeiro
Escreve A Terra dos Meninos Pelados (infantil), que recebe, em abr do mesmo ano, o Prêmio de Literatura Infantil do Ministério da Educação
10/nov: Golpe de Estado por Getúlio Vargas, apoiado pelas Forças Armadas; inicia-se o Estado Novo.
4 de maio: falecimento de Noel Rosa
Cinema: Descobrimento do Brasil
Lançamento da revista Dom Casmurro – assuntos literários.
Livros: Capitães de Areia, Jorge Amado

O Rei da Vela Oswald de Andrade;
Começo da construção do Ministério da Educação- RJ
26/abr: Bombardeio de Guernica
04/jun: Picasso expõe pela primeira vez o seu quadro Guernica

1938
Publica Vidas Secas (romance), seu quarto livro
A Ação Integralista Brasileira é colocada na ilegalidade
Destaque do carnaval: As Pastorinhas – Noel Rosa e João de Barro
Dorival Caymmi: O que é Que a Baiana Tem?
Teatro: criação do teatro do Estudante por Carlos Magno

1939
ago: é nomeado Inspetor Federal de Ensino Secundário do Rio de Janeiro
Publica A Terra dos Meninos Pelados (infantil), pela Livraria do Globo, de Porto Alegre-RS
Morre em SP o Conde Rodolfo Crespi deixando para Mussolini 500.000 cruzeiros-
Criação do DIP – depto de imprensa, encarregado de censurar os meios de comunicação.
Música: Aquarela do Brasil – Ari Barroso
Viagem de Carmem Miranda para USA
Início da Segunda Guerra Mundial

Quem falou do LivroErrante??


Livros errantes
Jaime Leitão
Em um país em que se lê tão pouco como o nosso, pelos mais diversos motivos, é fundamental incentivar a leitura, buscando para isso as formas mais inusitadas de divulgação.A leitura é um hábito que, quando adquirido, não se perde mais. Assisti a uma reportagem no Jornal Nacional, de anteontem, que traz uma idéia espetacular de estímulo à leitura. Uma dona de casa do Recife, Regina Porto, por ser uma leitora de longa data, apaixonada pelos livros, resolveu pegar uma sacola e enchê-la de livros, alguns doados por amigos, e deixá-los nos mais variados lugares: bancos de jardim, lojas, elevadores, supermercados, bares, com um título colocado na capa: Livro Errante. Na contracapa, a pessoa que acabou de pegar o livro lê: "Este livro não lhe pertence. Pode levar. Depois de ler, não guarde. Deixe outra vez em um lugar público para que seja lido por outra pessoa".Amigos de Regina, que moram em outros estados, gostaram da idéia, e também passaram a distribuir livros errantes pelos espaços públicos de Salvador, Belo Horizonte, Natal, Vitória. E essa é uma idéia democrática, não pertence a quem a teve pela primeira vez. Todos nós, com a ajuda de amigos, podemos criar um esquema de distribuição de livros errantes. Essa é uma corrente que vale a pena e que também nos ajuda a manter o livro que já lemos e não iremos ler mais circulando, porque é essa a função dele, circular pelo maior número de pessoas.O livro atrai, chama, e esse leitor conquistado de maneira imprevisível pode ser tocado para sempre por essa magia da qual não se livrará jamais. O que será muito bom.Amanhã é Dia do Livro, desse objeto que fala, que vibra, que pulsa, que de dentro das páginas narra, argumenta, poetiza a vida, filosofa, nos faz pensar, sentir, questionar o universo com os seus mistérios infinitos.Um livro esquecido na estante é um livro triste, entediado porque perdeu a função. Não podemos cometer esse crime contra ele. O livro, no seu silêncio, nos pede leitor, os mais variados leitores, o quanto antes. Sem ser lido, o livro estanque deixa de escorrer de suas veias esse rio de palavras e de idéias, transforma-se em um lago sem vida, ameaçado por traças e cupins que não o lêem, mas o devoram.O livro que ser aberto, respirar, ser manipulado, pesquisado por olhares atentos de criança, de adulto, de pessoas de todas as idades e com os mais diversos interesses.Que os livros circulem, errem de mão em mão, descubram novos leitores e os façam sentir que existe muito a ser descoberto em um livro escrito há poucos anos ou há séculos. O livro sempre nos ensina algo nem que seja para dizermos: - Não gostei deste, mas quero ler o próximo.Bom domingo. Com boas leituras. Presenteie os amigos com livros. Este presente é, sem dúvida, o melhor de todos. A leitura amplia a nossa visão de mundo.
Jaime Leitão, Jaime Leitão é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. Texto publicado em 2007-10-28

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Passo Fundo- RS capital nacional da literatura


Capital Nacional da Literatura celebra o título com monumento novo

CBL Informa - 31/03/2008

O título de Capital Nacional das Letras recebido pela cidade gaúcha de Passo Fundo em 2006 foi comemorado na última sexta-feira com a inauguração do monumento "Árvore das Letras", na praça Armando Sbeghen.
O marco da capital da literatura abrange um quiosque multimídia com livros, revistas, jornais e acesso à internet disponíveis para o acesso dos usuários. O monumento é uma criação do designer Jéferson Cunha Lorentz e do arquiteto Luís Hofmann, ambos da Universidade de Passo Fundo (UPF), e teve sua execução assinada pelo artista plástico uruguaio Gustavo Nackle. A árvore tem 13,30m de altura e 9,50m de diâmetro total e pesa duas toneladas.
O mérito de Capital Nacional da Literatura foi concedido para a cidade de Passo Fundo pelo fato de a cidade ser sede do maior debate literário e cultural da América Latina, a Jornada de Literatura. A movimentação literária bianual é promovida pela Universidade de Passo Fundo e Prefeitura Municipal de Passo Fundo há 27 anos ininterruptos. Além disso, a cidade possui a
maior média de leitura do Brasil: são 6,5 livros por habitante a cada ano.

De: L.E - Para: Comunidade L.E e amigos do Blog


Nós vivemos virtualmente tão grudados que só lembrei do Dia do Amigo quando comecei a receber mensagens. Como ao fim de mais de dois anos fiquei grudada afetivamente a todos e por isso não podia ter esquecido a data, com a ajuda a Oscar Wilde, peço desculpas e abraço vocês jurassicos e novatos do L.E.

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquetipo qualquer, mas pela pupila.Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espíritos nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.Que me tragam dúvidas e angustias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso só sendo louco.Quero os santos para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril".
Com um beijo,
Regina

domingo, 20 de julho de 2008

Literatura feminina - lá vem polêmica



Editora lança selo de "literatura feminina"
(da Folha de S.Paulo)


A editora Planeta acaba de lançar no Brasil o selo Essência, inteiramente voltado para a chamada "literatura feminina". Os três primeiros títulos são "A Rosa do Inverno", de Patricia Calbot (pseudônimo da escritora americana Meg Cabot, autora da série infanto-juvenil "O Diário da Princesa", entre outros), "Eu Pego esse Homem", de Valerie Frankel, e "O Livro Secreto do Banheiro Feminino", de Jo Barrett.
Na Espanha, país-sede da Planeta, o selo existe há pouco mais de um ano com o nome de Esencia (www.esenciaeditorial.com). De seu catálogo, títulos de Candace Bushnell, autora do best-seller "Sex and the City", e Nora Roberts, da "Trilogia do Coração", já apareceram nas listas de livros mais vendidos do país.

Serviço:
O Livro Secreto do Banheiro Feminino - Jo Barret - R$39,90(Cultura)
A Rosa do Inverno - Patricia Cabolt - R$44,90(Cultura)
Eu Pego esse Homem - Valerie Frankel - R$39,90 (Saraiva)

São Bernardo - filmes



O Segundo livro de Graciliano Ramos, teve duas versões no cinema:

A primeira versão do filme São Bernardo foi lançada em 1971
Direção Leon Hirszman
Elenco: Othon Bastos, Isabel Ribeiro,Rodolfo Arena e Jofre Soares
Roteiro de: Leon Hirszman e Graciliano Ramos.
Locação: na cidade de Viçosa – AL;
Prêmios: Air France (1973) como melhor filme,diretor e atriz.
Coruja de Ouro: melhor diretor e atriz coadjuvante (Vanda Lacerda)


A segunda versão do filme São Bernardo foi lançada em 1984
Adaptação: Lauro Cesar MunizDireção: Paulo José
Elenco:Regina Duarte,José Wilker,Beatriz Segal,Carlos Gregório,Tonico Pereira,Nildo Parente

No tempo do Mestre Graça... 1935


1934
Publica SÃO BERNARDO (romance), seu segundo livro, pela Editora Ariel - RJ
Falecimento de Sebastião Ramos, pai de Graciliano
Fundação da USP
Criação da VASP
17 julho: Vargas Eleito presidente
Entra no ar: A Hora do Brasil
Livros:Brejo das Almas de Carlos Drummond de Andrade
Bengüê de José Lins do Rego
Destaque na música: O Orvalho Vem Caindo – Noel Rosa
1935
27/nov: Intentona Comunista

Livros: Música ao Longe e Caminhos Cruzados de Érico Veríssimo
Dstaque na música: Feitiço da Vila – Noel Rosa
Destaque no Carnaval: CIDADE MARAVILHOSA-André filho

sexta-feira, 18 de julho de 2008

No tempo do Mestre Graça... 1933


1933- Graciliano Ramos publica CAETÉS, seu primeiro livro, pela editora Schmidt - RJ
neste mesmo ano:
18/jan: é nomeado diretor da Instrução Pública de Alagoas, cargo equivalente a Secretário Estadual da Educação

É contratado como redator do Jornal de Alagoas, onde publica vários trabalhos, entre eles: Comandante dos Burros, Doutores e Mulheres, não publicados em livro

No país:
Profissionalização do futebol no Brasil
Livros: Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre
Serafim Ponte Grande de Oswald de Andrad
Clarissa de Érico Veríssimo
Cacau de Jorge Amado
Flávio de Carvalho lança em SP Teatro da Experiência, com a peça: O Bailado do Deus Morto. Polícia de Vargas proíbe a exibição e fecha o teatro.
Cinema: Ganga Bruta – Humberto Mauro.
(à direita, capa da primeira edição )

No tempo do Mestre Graça, 1929 a 1932

1929
Nasce seu quinto filho, Ricardo de Medeiros Ramos, primeiro filho do casal, em Palmeira dos Índios-AL
08/jan: envia ao governador de Alagoas o relatório de prestação de contas do município. O relatório, pela sua qualidade literária, chega às mãos de Augusto Frederico Schmidt, editor, que procura GR para saber se ele tem outros escritos que possam ser publicados


*População brasileira é de 37milhões de habitantes.
*Indicados a candidatos à presidência: Getúlio Vargas e Júlio Prestes por RS e SP respectivamente.
*Queda na cotação do café brasileiro.
Livros: Simplicidade de Guilherme de Almeida e

Compêndio da História da Música de Mário de Andrade.
*Quebra da Bolsa de New York
1930
Nasce seu sexto filho, Roberto de Medeiros Ramos, segundo filho do casal, em Palmeira dos Índios-AL. Roberto morre com poucos meses de vida em Maceió-AL –
*abr: renuncia ao mandato de prefeito
*mai: muda-se para Maceió com a família
*mai: é nomeado diretor da Imprensa Oficial de Alagoas
Publica artigos no Jornal de Alagoas sob o pseudônimo Lúcio Guedes
novembro: Getúlio Vargas é empossado Presidente do Brasil; começa a Segunda República
22 de maio: Graf Zeppelin desce em Recife.

Livros:O Quinze de Raquel de Queiroz
Libertinagem de Manuel Bandeira
Alguma Poesia de Carlos Drummond de Andrade
Cinema: Coisas Nossas
Villa Lobos: começa a compor as Bachianas Brasileiras
Destaque na música: Taí – Carmem Miranda e (taí eu fiz tudo pra você gostar de mim...)

Com Que Roupa – Noel Rosa

1931
Nasce seu sétimo filho, Luiza de Medeiros Ramos, terceiro filho do casal, em Maceió-AL
dez: demite-se do cargo de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas
*Falecimento de Graça Aranha
Livros:O País do Carnaval de Jorge Amado e

Cobra Norato - Raul Bopp
Destaque na música: Se Você Jurar –Ismael Silva e Nilton Bastos


1932
Nasce seu oitavo filho, Clara Medeiros Ramos, quarto filho do casal, em Maceió-AL
abr: é operado em Maceió
jan:
escreve, na sacristia da Igreja Matriz de Palmeira dos Índios, os primeiros capítulos de São Bernardo, romance concluído nesse mesmo ano
*24 fev.
instituição do voto secreto e o direito de voto às mulheres.
*23 de julho: suicídio de Santos Dumont
Livros: O Menino do Engenho de José Lins do Rego e

Fantoches de Érico Veríssimo
Teatro: Deus Lhe Pague – Procópio Ferreira
Destaque na música: O teu Cabelo Não Nega – Irmãos Valença e Lamartine Babo

No tempo do Mestre Graça... 1925 a 1928


1925 -Graciliano Ramos começa a escrever Caetés, seu primeiro romance
*Começa a Coluna Prestes, que percorreu o Brasil até 1927.
*lançamento do Jornal “A Classe Operária” órgão do Partido Comunista do Brasil. Tiragem 5.000 exemplares.
*Instituída a lei que obriga à concessão de 15 dias de férias anuais.
Livros: A Escrava Que Não É Isaura de Mário de Andrade
Sucesso do carnaval: Sái, Cartola - de Raúl Silva que satiriza a moda do chapéu coco.
1926
*Washington Luis presidente empossado.
Livros: Primeiro Andar e Losango Cáqui de Mário de Andrade;
Vamos Caçar Papagaios de Cassiano Ricardo
Sucesso do carnaval:Café Com Leite, um maxixe de Freire Júnior e
Morro da Mangueira de Manuel Dias
1927
Graciliano Ramos é eleito prefeito de Palmeira dos Índios-AL
*Coluna Prestes interna-se na Bolívia.
*Fundação da CGT pelo Congresso Operário Sindical.
*Declarada a ilegalidade do Partido Comunista.
*Constituição do Rio Grande do Norte concede,num ato pioneiro no Brasil, direito de voto às mulheres.
*Construção da primeira “casa modernista”do Brasil, Em SP pelo arquiteto russo Gregori Warchavchik.
Livros:A Estrela de Absinto de O. de Andrade;
Brás,Bexiga e Barra Funda de Alcântara Machado e
Amar, Verbo Intransitivo de Mário de Andrade.
Cinema: Tesouro Perdido de Humberto Mauro
1928
Graciliano Ramos toma posse do cargo de prefeito em janeiro

Aos 35 anos de idade, Graciliano se casa em Palmeira dos Índios-AL com Heloísa Leite de Medeiros, então com 18 anos
Graciliano Ramos conclui Caetés, neste mesmo ano:
*Getúlio Vargas – gov. do RS
*João Pessoa – gov. da PB
*Fundação da CIESP(centro de indústrias do estado de SP)
Livros: Retrato do Brasil de Paulo Prado;
Macunaíma de Mário de Andrade;
Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade;
Martim Cererê de Cassiano Ricardo;
A Bagaceira de Américo de Almeida
*Começa a circular a revista Antropofagia.

L.E Muito prazer, Graciliano. Caetés



CAETÉS -Grupo de leitura: Márcia Regina, Ane, Lucila

Está com: Ninah - Próximos leitores:Nana(RJ);Walquíria(RJ):Rosa(GO);Haydée(RS), Joelma(PB)
O primeiro romance de Graciliano Ramos começou a ser escrito em: 1925 e foi concluido em 1928 quando ele tinha 35 anos e no mesmo ano em que casou pela segunda vez com D.Heloisa Medeiros em Palmeira dos Índios - AL

E como era a vida àquela época? no tempo do Mestre Graça...

Errante livre - oferta mais recente

Errante Livre: A Estrada - Cormac McCarthy
(Gentilmente oferecido por: Sílvia Helena de Salvador - BA)
A Estrada (Cormac McCarthy ), que venceu a edição de 2007 do Prêmio Pulitzer na categoria de Romance:A Estrada (no original The Road) fala de um mundo pós-apocalíptico na linguagem crua, despojada, a que McCarthy habituou os seus seguidores desde a edição, em 1965, de The Orchard Keeper (O Guarda do Pomar), o romance de estreia. É neste ambiente pós-nuclear que se desenvolve a A Estrada. Narra história de sobrevivência de um pai e de um filho. A trajetória dos dois personagens é uma viagem ao inferno, descrita com uma crueza que deixa o leitor sem fôlego. O mundo pós-apocalíptico de McCarthy tem uma intensidade terrivelmente plausível. A única forma de enfrentá-lo seria pelo exercício da bondade, cultuado no romance como uma espécie de fogo sagrado. O jornal britânico The Observer classificou-o, no entanto, como uma meditação sobre a morte. A morte individual e a morte da humanidade.
Fontes: Revista VEJA; DN Online********
É dele o livro Onde os velhos não têm vez, adaptado para o cinema sob o nome Onde os Fracos Não Têm Vez.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

L.E Tropa de Elite



Errante Tropa de Elite
Livros de autores laureados com o Prêmio Nobel, ou que aparecessem em alguma lista dos melhores livros de todos os tempos
Participantes: 21
Livro mais votado: O Sol É Para Todos, de Harper Lee (unanimidade)

'O Sol É para Todos' é livro essencial, diz pesquisa:
Versão cinematográfica valeu Oscar para Gregory Peck.
O livro O Sol É para Todos, escrito pela americana Harper Lee, foi escolhido na Grã-Bretanha como a obra que todo mundo deve ler antes de morrer.
O livro, lançado em 1960, conta a história de um homem negro que é injustamente acusado de estupro de uma garota branca e foi levado para o cinema dois anos depois em um filme de grande sucesso estrelado por Gregory Peck.
A escolha foi feita por bibliotecários britânicos para marcar o Dia Mundial do Livro, comemorado nesta quinta-feira.
O Sol É para Todos deixou para trás a Bíblia e a trilogia O Senhor dos Anéis, de JR Tolkien.
No livro, Harper Lee explora as relações raciais e de classe no sul dos Estados Unidos na década de 1930. A obra lhe valeu um Prêmio Pulitzer
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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Livros - sempre uma boa companhia

EXEMPLO DE CIDADANIA Entre a miséria e a lição dos livros
Publicado em 16.07.2008 (Jornal do Commércio - cad. Cidades)
Numa palafita da comunidade do Bode, Ricardo abriga um sonho comunitário. É lá que se esconde a Livroteca Guardiã, onde crianças descobrem a aventura de ler, pelas mãos dos mestres da literatura
A esperança de uma comunidade inteira mora, apertada, numa palafita do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Lá, bem na beira do rio, lugar onde a miséria insiste em se equilibrar para sempre, repousam em poucas prateleiras e, também no chão, Machado de Assis, Cecília Meireles, Lima Barreto, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, entre outros tesouros da literatura. Difícil de acreditar. A pobreza com um Augusto dos Anjos nas mãos. Quem não tem nada, agora já conhece Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes.
E foi assim, sem nada ao redor, só com livros, que o auxiliar de áudio Ricardo Gomes Ferraz, o Kcal Gomes, 34 anos, morador de palafita do Bode, ergueu há um ano o que apelidou de sonho comunitário. É a Livroteca Guardiã, refúgio das crianças pouco lembradas. Muitas não sabem nem ler. Pegam livros por curiosidade. Passam as páginas para olhar as figuras. Joana, 8 anos, estava com um Manuel Bandeira na mão. “Não sei ler.” O que importa é criança tocando nos livros. “Não tenho nada, mas faço tudo. Minha irmã vende crack na comunidade. Eu sou traficante de livros”, se autodefine Kcal.
A história dele é um livro. Cheia de frases de efeito. “Sou um louco responsável. Eu sou apenas mais um brasileiro. Dividido entre a escola, o sonho e o emprego. Se eu estudar serei um sábio com fome. Se eu trabalhar, mais um cidadão sem nome”, apresenta-se em forma de poema. Nascido na palafita, já viu de tudo. Perdeu uns 15 amigos assassinados no Bode. Por muitos anos, usou drogas e colocou um pé na criminalidade. “Já usei drogas. Agora, só uso livro”, diverte-se.
Aos 11 anos, leu o primeiro. Eram poemas de Cecília Meireles. Apaixonou-se e não parou mais. Conheceu Lispector e ficou ainda mais viciado nas letras. Um leitor compulsivo. “Ele fica lendo oito horas seguidas. Dorme às 5h”, comenta a mulher, Valquíria de Carvalho, 31. Não sabe precisar quantos livros já leu. “Mais de cem”, chuta. Acolhido por uma instituição chamada Criança Urgente, que atende adolescentes no bairro do Pina, enfrentou dificuldades por causa das drogas. “Sofreu muito, mas virou exemplo”, conta a irmã da Igreja do Pina Anatílica de Souza Viana, responsável pela entidade.
Kcal continuou lendo tudo o que via pela frente e passou a freqüentar os sebos do recife. Juntava alguns trocados e seguia para o centro da cidade. Algumas vezes teve que voltar caminhando do centro até o Bode. O dinheiro da passagem se transformou em um livro de Machado de Assis. “Comprei na ponte de ferro. Só tinha o dinheiro do ônibus. Demorei muito para chegar em casa e minha mulher brigou comigo. Mas tudo vale a pena, não é?”, pergunta.
A palafita, onde morava com a mulher e dois filhos, ficou pequena por causa dos livros. “Transformei minha casa, numa casa de ler. Aluguei uma por R$ 200 aqui no Bode. Um poeta italiano, amigo meu, manda R$ 100 para ajudar. Trabalho num estúdio no Pina e a situação é muito complicada. Mas não sou coitado, sou um guerreiro.” Mais de 20 crianças passam por lá todos os dias. Adriana Almeida, 12, já leu mais de 20 livros. “A gente sempre vem para cá. Eu até já sonhei com a história que tinha lido”, conta. Ao lado, Aline Maria indicava para as amigas o livro A História de Cada Um. “É sobre o retrato de sua família”, contou. Quem quiser ajudar pode encaminhar livros para o endereço Rua Eurico Vitrúvio, 124, Pina.
Para onde se olha, as letras estão lá. Os recados, que saem dos livros, são pintados nas paredes forradas de jornal. “Não somos pobres, somos roubados” é uma das mensagens. Ao lado, está escrito na janela “Todos nós estamos sentados na lama, mas alguns de nós estão olhando estrelas.”
A supervisora do Programa Educação Para Cidadania do Gabinete de Apoio às Organizações Populares (Gajop), Edna Jatobá, esteve ontem no local. Aproveitou e leu algumas histórias para as crianças. “A nossa idéia é que a juventude se reúna aqui para discutirmos políticas públicas de segurança.” Em vários momentos da entrevista, o auxiliar de áudio parou como se não acreditasse no que estava vendo. Ficou em silêncio quando foi questionado quantos amigos já haviam sido assassinados na comunidade. Algumas crianças ouviram ele recitar o poema Rio Vermelho. O fim trágico ainda é a história mais contada no Bode.

Quem falou do LivroErrante??

Literatura pelo caminho (matéria de Beatriz Castro- Jornal Nacional 26/10/2007)


Livros deixados propositalmente em lugares públicos, em Pernambuco, estão ajudando cidadãos a descobrir um novo mundo. Veja na reportagem de Beatriz Castro.
A dona de casa do Recife, Regina Porto, resolveu deixar livros pelo caminho. Uma aventura solitária em busca de novos leitores onde menos se espera. “Deixei em estacionamento de supermercado, igreja”.
Apaixonada pelos livros desde menina, há dois anos ela e um grupo de amigos de cinco estados começaram a espalhar os chamados livros errantes, destinados a circular entre o maior número possível de leitores. No banco da praça, em pouco tempo, o livro ganha um novo dono. A estudante Mônica Nascimento lê o recado que ele traz.
“Este livro não lhe pertence. Foi deixado aqui para que você leia. Pode levar, depois de ler não guarde, deixe novamente num lugar público para que seja lido por outra pessoa”.
E mais um livro errante segue sua trajetória...


http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL576211-10406,00-LITERATURA+PELO+CAMINHO.html

terça-feira, 15 de julho de 2008

Quem falou do LivroErrante??

Livro só tem sentido se for lido e relido
Publicado em 04.03.2007- Jornal do Commércio - Recife
RENATO MOTA
O hábito de trocar ou emprestar livros é antigo... tão antigo quanto o ato de não devolvê-los. Trocar livros em forma de corrente, atividade realizada geralmente por clubes de leitura, também não é uma coisa lá muito recente. Mas graças aos avanços da tecnologia esse passatempo se expandiu, e o intercâmbio de experiências entre os fãs da leitura pode ser feita em altíssima velocidade, ou melhor, no mínimo a 56 kbytes por segundo.
Usar a internet como forma de organizar a corrente de troca de livros por todo o País é uma atividade que vem ganhando cada vez mais adeptos. Um grande responsável por essa expansão é o site de relacionamentos Orkut. Os internautas se reúnem em comunidades virtuais de acordo com seus assuntos favoritos. A partir daí, pessoas de diversas partes do Brasil que são membros de comunidades relacionadas ao prazer da leitura, como O que você está lendo? e Gostamos de ler, se organizaram para criar uma corrente nacional de troca de livros. Foi o início do Livro Errante.
A idéia partiu de um gaúcho que tinha por hábito abandonar livros em pontos estratégicos da cidade onde mora, com a intenção de que alguém encontrasse a obra, lesse e passasse adiante. Na contracapa vinha a mensagem: “Este livro não pertence a ninguém. É um livro errante. Se caiu em suas mãos, honra-o com tua leitura, e o deixe seguir viagem”. A idéia foi prontamente adotada pela estudante de secretariado Regina Porto, 52 anos. “Eu embalava o livro, deixava todo arrumadinho, e colocava em algum local público de grande movimento. Já abandonei cinco: no Parque 13 de Maio, nos Correios, em Boa Viagem e dois em agências bancárias.”
Histórias como a de Regina empolgaram outras pessoas. A bacharel em Direito Roberta Maroto, 26 anos, se comoveu particularmente com o relato de uma internauta da Bahia. “Ela contou na comunidade que deixou o livro com um telefone de contato anotado, para que quem o encontrasse pudesse comunicar a experiência. Depois de algum tempo, uma pessoa ligou e se disse muito emocionada com esse ato, e que tinha gostado muito da obra. Então a ex-dona do livro pediu para que a pessoa apagasse o telefone dela da página, colocasse o próprio e também o abandonasse”, conta.
O relato deixou Roberta mais corajosa para fazer parte da corrente e tornar errante um dos seus livros favoritos. “Consegui rastreá-lo por um tempo, mas agora já o perdi, não sei onde está”, confessa. É justamente esse sentimento de perda que afastou a maioria das pessoas da comunidade da iniciativa proposta no começo. A partir daí, Regina Porto resolveu organizar uma corrente onde o livro viajaria por todo o País para depois retornar ao seu local de origem.
As regras são simples: cada participante sugere uma obra que tenha à disposição para fazer parte do projeto, geralmente obras de ficção, e deixa na comunidade o nome, autor e uma sinopse para que os outros possam conhecer. Acontece uma votação para decidir quais livros participarão da corrente, e a lista é organizada de forma que a seqüência dos participantes obedeça a proximidade dos seus municípios, para baratear a postagem de cada livro. É marcada uma data para o início da corrente, e decidido um prazo máximo de leitura para os envolvidos. Cada vez que alguém recebe ou envia uma obra, deve comunicar ao organizador, para que este tenha controle sobre o andamento da corrente.
Cada grupo de Livro Errante tem um tema, que determina quais livros serão trocados ou em que ordem eles serão enviados. O primeiro a ser criado foi o Interestadual, que reuniu pessoas de vários Estados brasileiros, em que os livros correram por dois percursos, um de Norte a Sul, outro no sentido inverso. O primeiro, que saiu do Rio Grande do Norte, foi A valsa dos adeuses, de Milan Kundera, e do Rio Grande do Sul partiu O opositor, de Luis Fernando Veríssimo.
No chamado Regional, cada participante escolhia um livro de um autor do seu Estado para repassar para um membro de uma região distante, com o propósito de divulgar os nomes desses escritores. “A idéia principal é recomendar um autor que não seja muito conhecido fora da sua terra”, explica Regina.
Existe até um grupo guiado pelos signos, onde alguém de áries passa o livro para um de touro, câncer e assim por diante. A advogada Laura Paranhos, 40 anos e signo de Escorpião, faz parte desse grupo. “Eu adoro ler e essa é uma oportunidade de conhecer escritores de outras regiões do Brasil ou obras clássicas que não tenha lido”, comenta a advogada, que selecionou Uma varanda sobre o silêncio, de Josué Montelo, para o grupo. Laura ainda afirmou que foi a segurança de receber seu livro de volta que a motivou a participar do Livro Errante. “É preciso haver um controle, pois muita gente tem medo de não receber de volta.”
Atualmente, a comunidade O que você está lendo? seleciona os livros somente escritos por mulheres para o grupo Palavras de Mulher, que deve iniciar a corrente em breve. Não está sendo formada nenhuma corrente nova neste momento, mas Regina explica que, a depender da quantidade de pessoas dispostas, iniciar um novo círculo pode ser bem fácil.
http://jc.uol.com.br/jornal/2007/03/04/not_222387.php

Resgate: "Operação Vida"


Resgate: ¨Operação Vida¨
Frank Neto- março 2008 (L.E Saideira)
Pokhara, Nepal, 15 de agosto de 1982.
Há sete dias, um avião de pequeno porte era tido como desaparecido próximo à cordilheira do Himalaia. E como sempre, lá estavam Ricky e Dhúlia, jovens aventureiros, sem fronteiras e sem endereços, membros de uma corporação filantrópica obstinada a socorrer vítimas de acidentes aéreos. Apesar da pouca idade, já detinham no currículo vários resgates com sucesso. E este acabara sendo mais uma empreitada com um final feliz para as vítimas. Mas para Dhúlia, pairava ainda uma certa dúvida sobre o seu próprio final.
No dia seguinte após o término da missão, ela andou vagando pelas ruelas da bucólica cidade de Pokhara, olhando para baixo e contendo sua aflição quando trombava com transeuntes. Carregava consigo a dúvida. Uma dúvida que a cada passo consternado sobre os paralelepípedos úmidos começava a tomar forma de certeza. Uma certeza que, talvez na cumplicidade do seu coração, já pulsava há algum tempo. Levantava os olhos fixos no chão apenas para olhar o céu, talvez mirar alguma luz, mas já apareciam os primeiros sinais do anoitecer.
Em seu caminho, avistou um templo budista. Adentrou fingindo que procurava respostas. Olhou em sua volta e arfou o ar de sua cor predileta, contando os segundos que demorou a insuflar seus pulmões. Expirou e conseguiu sentir as batidas de seu coração, um pulsar firme e determinado. Ainda com os paralelepípedos impregnados em sua retina, fixou o olhar para uma imagem de Buda. E continuou repetindo seu ritual pulmão e coração mais algumas vezes. Estavam ambos sentados, ela e o ícone, permeados pelo silêncio. Quando, sem intenção, acabou encontrando uma sensação agradável de paz, que se fez perceber mais importante do que a incerteza mascarada.
Saiu do templo sensivelmente diferente. Com os passos já conformados, mas sobretudo resolvidos e revestidos por uma paz imperial. Uma paz que a conduziu até a beira do lago que banhava a cidade. Nunca soube o nome daquela linda harmonia de águas azuis. Ouviu uma lenda de que o vale de Kathmandu, onde fica Pokhara, já tinha sido inteiramente coberto por aquele lago. Mas não importava o nome, pois era o seu Lago Azul. Ali, sentada na margem e cercada por colinas e montanhas ao fundo com neve perene nos picos, bem que poderia ter sido o lugar e também o momento em que ela treinasse o seu discurso. O lago de certo emprestaria seus ouvidos àquele timbre adocicado de voz feminina. Mas não. Ela optou por não lançar suas palavras em direção às águas. Ao invés, enamorou-se do silêncio enquanto sentia o regozijo de atirar e ouvir o barulho das pedrinhas mergulhando no lago, formando círculos excêntricos em direção aos seus pés. Nada de ensaios. Sentia-se pronta. O coração e a razão já tocavam a mesma melodia. Levantou-se, beijou a última pedrinha, como quem se despede, e arremessou-a forte, para bem longe. Deu as costas ao lago e seguiu ao encontro de seu colega Ricky, que dali a pouco ouviria uma música interpretada com um arranjo singular: uma paz abençoada por águas azuis.
A noite caiu. Dhúlia apressou o passo, agora mais firme, contra a escuridão que já reinava plena. Ficou até um pouco tensa por causa das penumbras deparadas em cada esquina, mas manteve-se serena quanto à conversa que teria com Ricky nos próximos instantes. Afinal, pensou ela, a única coisa que poderia fugir do seu controle seria uma reação extrema por parte dele. Esse era o único terreno que ainda poderia estar movediço. Que reação ele teria? Que expressão facial estamparia? O que demonstraria? Decepção? Euforia? Menoscabo? Agora já não importava mais. O verde mais hostil e denso da floresta já foi custosamente transposto. Só faltava o derradeiro passo. E torcer pra não ser tragada pelo desconhecido.
Chegou à rústica mas agradável pensão onde estavam hospedados. Dhúlia entrou na recepção, deparou-se com a recepcionista e cinco segundos insólitos se passaram até solicitar a visita ao quarto de Ricky. Ouviu atenta o estalar da madeira a cada passo lento na escada. Percebeu a sutil diferença no arfar de seus pulmões, mas tudo estava sobre controle, por enquanto. De frente a porta desbotada, mas rígida, número 208, desferiu uma batida seca, apenas uma. Ricky abriu a porta como sempre, bem humorado, apontando a entrada com as mãos e dizendo: ¨Seja bem-vinda a minha humilde e atual morada¨. E Dhúlia acabou entrando como sempre, leve e tranqüila.
Dez minutos de prosa sobre o último resgate e ela não podia mais adiar a palavra. ¨Ricky, tenho algo sério a te contar¨. Ele manteve-se em pé, mirou-a atentamente e perguntou o óbvio: ¨Alguma coisa grave?¨. Ela desviou o olhar para baixo discretamente e disse se tratar de algo muito grave. Ele preocupou-se, de pronto puxou a cadeira e sentou do outro lado da mesa, de frente a ela, os braços esticados e as mãos entrelaçadas. Tenso, ficou calado, mas suplicava explicações com o olhar. E quebrando o ar carregado que pairava no ambiente, Dhúlia inclinou-se para frente e desferiu de maneira segura: ¨Vou me desligar da nossa corporação, para sempre. Eu te amo Ricky, como nunca amei outro homem. Desconheço seus sentimentos, mas esta situação chegou a um ponto insustentável para mim. Eu quero uma nova vida, longe de acidentes aéreos, e longe de você¨. Nesse momento, Ricky mudou substancialmente de fisionomia, apoiou o cotovelo na mesa e mão no queixo, surgia um misto de surpresa e raciocínio lógico, resultando em uma expressão de senhor daquela situação. Dhúlia mantinha o semblante firme da oratória eloqüente, não percebia que ele respondia sem palavras. Ela continuava: ¨Ricky, eu quero tão pouco, apenas um endereço fixo e um amor verdadeiro, uma vida considerada normal.¨ Enquanto isso, ele levantou-se, abriu a janela de madeira e olhou o horizonte sentindo uma brisa gélida, enxergou até onde sua visão alcançava, pensou que as grandes decisões se tomam em um curto lapso de tempo e disse: ¨Eu te amo, Dhúlia! Eu sempre te amei! Nossa dedicação incondicional à equipe nos cegou. Chegou a hora de termos de volta nossa capacidade de ver outro mundo, ou melhor, de sentir outros mundos. Vem comigo, monta em meu cavalo e vamos embora agora, neste exato momento, fazer a nossa realidade, salvar mais duas vidas em perigo, as nossas próprias vidas¨. Dhúlia ouviu petrificada, e lembrou que o cavalo selado só passa uma vez. Não cabiam mais palavras, sobravam atitudes. E rapidamente os dois se viram viajando montados em um belo e imponente animal. As luzes de Pokhara se tornavam então cada vez mais distantes e tênues, e só se ouvia o firme galope através do deslumbrante vale de Kathmandu. Em um certo momento, de onde já se viam os primeiros pontos luminosos da próxima cidade, Ricky lembrou que no afã de pulverizar os padrões e as normas, e na volúpia pela libertação da alma, não havia ainda sentido a textura macia dos lábios de Dhúlia. E no alto de uma colina, sob a lua cheia reluzente, parou o cavalo e virou-se para ela, desenhando um encaixe de corpos perfeito, glorificado com um beijo tenaz e apaixonado, sacramentando um grande amor que ali nascia, naquele belo vale tácito, entre parcas luzes e muitas estrelas... Nesse instante um avião riscou o céu do Nepal, rompeu o silêncio, urrou forte, e eles não ouviram.