quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

L.E Muito prazer, Graciliano.



CAETÉS
Saida: 30 de março
Grupo: Dayane,Anelise,MRegina,Richardson,Lucila,Joelma,Regina Haydée,Aida, Rosa e Eliana.
Preciso do endereço de Rosa

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Quarta-feira em poesia -

Errante

Richardson Nochelli

Quero viajar, me perder por esse Brasil,
Ver as belezas, também as tristezas,
Passar como um vento pelas casas,
Pelos casosconhecer cada um,
Cada qual em seu local.começo por cima,de aparência sem igual,
Nordeste é meu destino pelas praias meu canal,
Vou ver Lucila em Salvador,e quem sabe andar de elevador,
Ver Tanandra em São Luís,ver o boi e ser feliz,
Em Pernambuco a festa esquenta,tem Júlia, Renan e Regina, Generala,
E é lá que primeiro o galo canta.
Parto com dor no coração,mas vou para outra terra de encanto,
Vou ver Márcia em Porto alegre,
tomar chimarrão de bota e bombacha tchê,
Visita isolada mas não menos festiva,
Saio de lá já pensando em voltar.
A caminho de São Paulo, decido ver o mar,
É em Santos que encontro um amigo,mascarado mas nunca fingido,
Encontro o Frank, Francisco (ou Chico),
Passo em Piracicaba,encontro Aline,
Amiga com aparência de longa data,
Encontro também o rio, que um dia suas águas joga fora,
Chegando Guarulhos, me lembro de Edilânia,
É certeza de conversa boa, nunca jogada fora,
Em São Paulo é uma dupla de amigos sem iguais,
Marcelo, japonês, e Daniela, na terra da diversidade cultural o passeio me anima,
Quero tomar sorvete e ver se a garoa ainda existe.
Minha viagem chega ao fim, Sorocaba é meu destino,
Minha terra sem igual onde hoje trago comigo,
Pedaços de uma vida errante, sem destino, sem espera,
De saideira deixo a todo mundo meu muito obrigado e até um breve futuro.
(em 24.02.08 - dedicada ao grupo: L.E Saideira 2007)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Livro onde menos se espera.





Este livro As Noites do Morro do Encanto-Dinah Silveira de Queiroz, vai ser deixado na agência do BB da ALEPE e o da direita: O Caso dos Dez Negrinhos de Agatha Christie numa loja popular da Rua do Hospício; banco e loja Marisa no bairro da Boa Vista.Se amanhã dia 26/02 você encontrar um deles, pode levar. L.E

Eu Conto Um Conto Por Semana - 6





RENDIÇÃO
Ednice Peixoto
     Mal percebe as pessoas a sua volta. A alta umidade acentua a sensação claustrofóbica da sala abarrotada de flores. Olha em torno e vê tudo através de densa névoa. A sensação de flutuação permanece como se estivesse prestes a cair. De repente, lembra-se: há oito horas que não ingere nada sólido, um açude de dor alimentando sua vida sedenta, insalubre e insípida. Uma mosca bate-lhe no rosto e num aceno rápido tenta alcançar-lhe, afastando-a. Inútil. A mão não obedece ao seu comando, dormentemente assentada sobre o peito. Tentando movimentar o braço, de repente as lembranças lhe jogam a um passado que pensara esquecido.A sopa esfria sem fome depois que a mosca sentara na beira do prato insinuando-se sem pudor. Toma o café, escolhendo o pão mais queimado da cesta sobre a mesa. Todos à mesa calados, exceto o pai. Os irmãos não ousam nada dizer, a mãe ocupa-se em dar colheradas à irmã menor que mal alcança a altura da mesa. O pai seguindo a rotina de todos os dias espalha no ar seus gritos, sua agonia.
Hoje a reclamação cai sobre sua falta de fome, suas brincadeiras com o pão, tirando-lhe a casca, molhando o miolo no café, deixando a xícara com bolotas de trigo que naufragam.     
      Náufrago, sente-se náufrago naquele mar em que se transformou o que antes era um lar depois que o pai se dera à bebida como quem se dá a uma amante, faminto, instintivo, trôpego e cego. Sente saudade do pai carinhoso, aquele que nos sábados à tarde levava a família para passear, do pai que fazia o domingo ser de praia, refrigerante e frango assado, a velha Rural Willys aos solavancos por ruas esburacadas. O mar abria suas águas oferecendo-lhes também um mundo mágico de felicidade imorredoura. Ilusões. Tudo acabara quando o pai se entregou à bebida definitivamente, deixando-a triste, os filhos perdidos espectadores de brigas, até o tapa final marcando o rosto e a vida da mãe. Saíra de casa pra nunca mais.Sua infância se transformou de repente em responsabilidade no cotidiano de assumir papel de adulto perante os irmãos na incapacidade da mãe que se dera aos remédios como se dá a um amante, faminta, instintiva, trôpega e cega. Inútil ilusão.
      Amantes ambos os pais de realidades coloridas e fantasmagóricas. Não havia bebida, remédios que pudessem realizar milagres de cuidar dos irmãos, de si. À falta de opção reagira com qualquer trabalho que desse dinheiro, comida, calçado. Cresceram.O mal-estar aumenta à medida que os pensamentos se aprofundam na dor antiga. O lugar desconfortável não lhe permite um segundo de relaxamento, quanto mais que percebe os olhares de alguns em si. Hienas, urubus! Será a sobremesa de todas as conversas amanhã. De todos ali, a quem pode chamar de amigo, a quem confiar sua angústia? Toda a vida sentira-se só arrodeada das solicitações dos irmãos, das necessidades do marido e dos filhos.Perguntara vezes sem conta como sobrevivera a tanto. Perdição de pai e mãe deixara sinais no rosto e na alma. A família produzira de doutores a bandidos. Ela, ao casamento se vendera por viagens, carros, mansão, mascarados pelo tratamento da mãe. Há muito a mãe sob luxo de mármore, pai sob terra anônima. Da futilidade da vida, os filhos não a salvaram, entregando-se faminta, instintiva, trôpega e cega a amantes. Ilusões.
      Os rostos dentro da névoa parecem perplexos, os óculos escuros refletindo o sol da tarde lá fora. Pairando sobre a sala, escuta pedaços de conversas. Uma fisgada no estômago lhe relembra da falta de alimento. Ao forçar a mente, vê-se na noite anterior matando a sede na bebida, a fome no colorido dos comprimidos que engolira a mancheia. Deixara o marido depois dos filhos crescidos e à bebida e aos remédios se entregara faminta, trôpega e cega na substituição dos amantes. Inútil.Vê a filha mais velha se aproximando e tenta afagar-lhe o rosto banhado em lágrimas que não entende, mesmo sabendo-a dona de uma sensibilidade à flor da pele. A mão ainda sobre o peito não lhe obedece. Intrigada, abre a boca, grita pela filha, mas som algum lhe escapa. De repente se lembra: de todas as entregas que fizera na vida, esquecera de se entregar ávida, mármore e ferro, confiante à vida. Inútil! Preferira entregar-se trôpega e cega à morte como se dera ao amante!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Os Ramos Ocultos de Graciliano


OS RAMOS OCULTOS DE GRACILIANO
Antonio Falcão *

Antes de conhecer Dona Heloísa, viúva de Graciliano Ramos, eu tinha algum entendimento sobre o autor de Vidas Secas. O encontro se deu em novembro de 77, na Chácara Santo Antonio, bairro de Santo Amaro, São Paulo. Ali eu já sabia que ninguém pode escrever a vida de um homem senão ele mesmo, como confessou Rousseau. Graciliano Ramos, o mais perfeito e significativo dos romancistas brasileiros pós-modernistas, não fugiu dessa assertiva.
Efetivamente, Mestre (ou Major) Graça – assim o chamavam seus contemporâneos – escreveu pedaços de si, da vida que viveu, da ambiência ao seu redor. Seus personagens, encontradiços nos campos e ruas deste país, ou refletidos nos caminhos em desalinho de sua imaginação, têm faces alencarianas e machadianas. São substantivos e não adjetivos. São, sobretudo, humanizados, mesmo quando situados em condições precárias de uma cidadezinha, como João Valério, em Caetés, ou moralmente indignos, como Paulo Honório, em São Bernardo, ou, até, psicologicamente difíceis, tal qual Luís da Silva, em Angústia, sua obra-prima. Mas seu instinto de humanização hipertrofiou-se em Baleia, a cadela de Vidas Secas, seu romance (ou novela, na classificação de Álvaro Lins) mais popular e mais traduzido.
Graciliano, o escritor, um estilista, um clássico; o homem, um pessimista em relação aos políticos e à vida literária. Autor econômico, de sentenças secas e duras, o Mestre, nada poético, escreveu friamente coisas ardentes, como recomendou Baudelaire. Clássico pela universalidade que individualizou na sua obra, por isso há de perdurar na nossa história literária.
Seu pessimismo transmitido à literatura era justificável. Decorria das circunstâncias em que viveu e da realidade social do Brasil. Graciliano testemunhou uma verdade gravada desde a infância. Valendo-me da frase de Mário da Silva Brito, diria que foi um otimista de luto. Enlutado pela miséria que veste a grande massa brasileira; luto que não transferiu ao povo, merecedor de sua extraordinária confiança.
Mas Dona Heloísa, sessentona, morena, de traços belos e culta, me ensinou muito mais. Afável, falou-me do marido com empolgação e frescor, coisas de adolescente enamorada. Disse que o Mestre – pra ela, Graci - era despreendido em relação a tudo e consigo próprio. Certa vez, notou que há dias ele andava capengando de uma perna e não sabia explicar o porquê. Quando Graciliano descansava, ela pôs a mão dentro do sapato dele e descobriu uma ponta de prego que fazia escavações no dedão do Major. E riu meiga, como se Graciliano estivesse presente e ali fosse a pensão carioca do Catete, onde moravam.
Depois, eu quis saber como se comportava Mestre Graça no plano doméstico, seu trato pessoal com ela, os filhos. Extremamente doce, carinhoso e polido, respondeu. Às vezes, romântico, como numa manhã em que foi à casa de um amigo e de lá telefonou pra ela, insistindo que fosse ao seu encontro, olhar um pé de jasmim recendendo no quintal. Sentimentos desse tipo ele não botou nos livros.
Perguntei por Graciliano político. Como ele conseguiu acomodar suas veleidades anarquistas à rigidez do Partido Comunista, ao qual aderiu em 45. Respeitosa com o Partidão, ela me contou que o marido, disciplinado militante, nunca fez de sua literatura um panfleto, tornando seu texto um palanque. Homem do seu tempo e escritor engajado, Graciliano jamais rendeu subserviência ao stalinismo, então reinante, ou ao sovietismo embasbacado. Um marxista instruído. Entendeu que tudo que fala do homem é, por si, político.
Procurei saber mais. Ponderei que Graciliano, primogênito de uma família de 16 filhos, educado com rigor pelos pais tabaréus, conheceu o internato de um colégio, foi balconista, dono de loja de tecidos, prefeito. Considerei ainda que dirigiu a Imprensa Oficial, uma escola que fundou numa sacristia e a instrução pública de Alagoas. Tudo isso, além de enfrentar a peste bubônica dizimando seus parentes, enviuvar ainda moço, criar quatro filhos menores do primeiro casamento e ter sido preso político em conseqüência da quartelada de 1935, da qual não participou. Como conseguiu tempo e condições para escrever tanto e tão bem? Ela foi clara e precisa, como o marido: - Exatamente por tudo isso.
Sobre os críticos literários, foi primorosa. Ficaram ocultos para eles alguns ramos viçosos do Mestre Graça. Tomou Vidas Secas como exemplo. Nos contos do livro – romance desmontável para Rubem Braga -, Graciliano construiu o vaqueiro Fabiano, ruivo, de olhos azuis e obtuso. Um bicho autoproclamado. Sinhá Vitória, sua mulher, mulata e inteligente. Sabia contar. Quis o Mestre afrontar o racismo e o machismo da nossa cultura. Nenhum ensaísta literário ou político, nenhum militante étnico ou feminista, descobriu esses propósitos do Autor. Tampouco, ninguém indicou as razões de Sinhá Vitória ter como objetivo uma cama de lastro de couro, como a de seu Tomás da bolandeira. O grande Graça insinuou o adultério de sua heroína. Ninguém foi lá.
Ocultas, aos olhos dos críticos, as circunstâncias em que Graciliano elaborou Vidas Secas. Em 1937, o Autor morava com a mulher e os dois filhos numa pensão. Os filhos inspiraram os personagens meninos mais novo e mais velho. Os quatro eram a família.
Com a lição de Dona Heloísa, tomo para Graciliano o que Anatole France disse de Zola – um momento de consciência humana.
Obrigado, Dona Heloísa. Tenho pra mim que a senhora enriqueceu este país endividado com tudo, inclusive com seu marido.

Texto extraído de "Romeiros do Absurdo" - páginas 69/72, Ed. Comunicarte, Recife/1991.
* Antônio Falcão é escritor, também, dos seguintes livros: O Tango da Meretrizes - Ed. Bagaço, Recife/1997 ; Mil, Novecentos e Nós - Ed. Comunicarte, Recife/1995: Um sonho em Carne e Osso, os fora de série do futebol brasileiro -Ed. Bagaço, Recife/2002; e Os Artistas do Futebol Brasileiro- Ed. Nossa Livraria, Recife/2006.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quarta-feira em poesia -


Suave da Vida

(Josué G. Araújo)

Suave é a alma,De quem ama o amor sonhado.
Suave é a calma,De um longo olhar enamorado.
Suave é a brisa,No varal soprando os panos.
Suave é a voz,Desfazendo os enganos.
Suave é o sol,Iluminando os nossos caminhos.
Suave é a lua,Fiel espiã dos nossos carinhos
Suave é à tarde,Quando os pássaros gorjeiam.
Suave é a carícia, Quando as musas nos rodeiam.
Suave é à noite,Quando Orfeu dedilha a lira.
Suave é o riso,Quando a gente sonha e delira.
Suave é o sono,De uma consciência pura.
Suave é o sonho,De quem mantém postura.
Suave é o despertar,De quem adormece ternamente.
Suave é a vida,De quem vive intensamente

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Letrinhas Paraibanas


Movidos pelo prazer de ajudar professores em sua difícil tarefa de incentivar as crianças à leitura, o Livro Errante, assim como está fazendo na cidade de Poços de Caldas-MG com o Chá de Letrinhas, passa a colaborar também com a professora Maria Eliene da Silva da Escola Municipal Flávio Ribeiro Coutinho na cidade de Umbuzeiro na Paraiba. Você novato na comunidade L.E junte-se a nós.
E o leitor deste blog também pode colaborar doando diretamente à escola ou por nosso intermédio. Neste caso deixe aqui seu recado. Nós faremos contato. Livro errante é atitude.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Estrelinha - a nossa mascote.




Esta garota de 7 anos, é nossa mascote do Chá de Letrinhas. Grande leitora compartilha livros e gibis com as crianças de Poços de Caldas. Um exemplo de generosidade e desprendimento... vamos seguir esse sorrisão? Grande abraço Estrelinha!!

Chá de Letrinhas - xodozinho de Livro Errante









Imagens das crianças no Cantinho da Leitura - inicio do ano letivo de 2008, na Escola Municipal Antônio Sérgio Teixeira em Poços de Caldas-MG- O Livro Errante tem o prazer de colaborar com esta iniciativa.
O Chá de Letrinhas é um acordo de integrantes da comunidade Livro Errante do Orkut, para doação de livros infantis à esta escola pública.
Livro Errante é atitude. Junte-se a nós. Próxima escola beneficiada: cidade de Umbuzeiro-PB

Contamos com você.
L.E

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Quarta-feira em poesia -


Não Me Peçam Por Um Jardim Gramado

Ladyce West -
Não me peçam por um jardim gramado,
Por um tapete verde, cobertor esperançoso,
Alfombra ondulada que revele
As curvas sensuais do meu terreno.
Este sítio de sopé,
Que acaba num riacho tortuoso,
Borbulhante, cascateado,
Ao fundo do alqueire --
Este meu domínio --
Já é sedutor suficiente,
Insinuante e dissimulado,
Amante insincero e encantador.

Grama aparada, curtinha, fechada,
Tecida na terra vermelha,
Para mim é coisa estrangeira,
De campo de golfe, ou de mansão inglesa.
Não mostra toda a riqueza de textura,
Das plantas que verdejam nossos quintais.
Prefiro as forrações de terreno tropicais,
Densas na trama, rebeldes, sem frescuras.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Melhores de 2007

Estes são os 5 melhores livros lançados em 2007
(Segundo caderno da edição de 26/12/08 Jornal O Globo)

Vamos a eles pela ordem? vamos:


* 1808- Lurentino Gomes

*O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza 

* O Passado, de Alan Pauls 









*O Príncipe Maldito, de Mary Del Priore 









A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick



domingo, 10 de fevereiro de 2008

Eu Conto Um Conto Por Semana - 4


O Quase-Sonho-Do-Jovem-Poeta-Que-Não-ChoraEvaldo

Pela terceira noite ele estava diante da Máquina fria e sem sentimentos. Seus olhos como os de uma coruja, brilhavam contra aquela Janela maldita. Eram três noites e nenhuma palavra tinha tomado forma. Os sonhos do jovem poeta estavam adormecidos, assim como ele.
Ao longe uma campainha tocava e era Ela: o mundo lá fora gritando insanamente, Eu estou aqui. Ele era um com a Máquina que sorvia cada gota de vida que lhe restava. O calor atordoante abraçava-o como sua Musa, aquela que preferiu a brisa.
Sim, ele morria. Era um esforço tremendo olhar para outro lugar além da Janela, maldita Janela. Um gole d'água, qualquer coisinha para engolir. E a Janela. Sempre a Janela. Seu nome, você me pergunta. Não sei, respondo. A pena corre pelo papel, o meu, não o dele.
O jovem poeta esqueceu o papel. Há quanto tempo ele não mergulha a pena no tinteiro e assim desenha sua história? Ele não tem mais história. Sua Musa partiu e por um tempo ele amou a si. Agora nem isso. Viu outras musas através da janela, nenhuma como a outra.
Suas mãos estavam frias sobre a pena da modernidade, apesar do quente e sufocante ar de verão. O monstro com sua máscara de Janela sorria para o jovem poeta. Uma... duas.... três lágrimas escorriam pelo rosto triste. Os olhos melancólicos começando a latejar.
A boca se abre, agora o monstro escancara suas presas e o jovem poeta, bem o jovem poeta parece dormir. Ele não vê que o monstro vai comê-lo. O abajur se apaga. Na verdade automaticamente o braço de nosso amigo se estica e apaga o abajur. Mas ele ainda brilha, o monstro brilha multicolorido enquanto os dedos do jovem poeta valsam freneticamente sobre a pena da modernidade.
Ao longe a campainha toca, lembrando ao jovem poeta que existe o mundo la fora. O vento sopra e em um estalo,seco, a porta do quarto se fecha.
O monstro não bebe as lágrimas do jovem poeta. Não, ele deixa que, cada uma, atrás da outra, escorram pelo chão. Um sacrifício para sabe-se lá que deus infernal. É, o monstro deixa que o calor, seco e sufocante, esse sim beba as lágrimas do poeta.
Um estalo. O segundo nessa noite. O vento mais forte que antes e o poeta não chora, não mais. Agora, gota-a-gota, o céu debulha suas próprias lágrimas. A noite tempestuosa é banhada de luz, o terceiro estalo. Dedos valsando freneticamente; a pena e o nanquim trancados no armário. “O poeta não chora”, escreve nosso jovem poeta. Esse poeta não chora, grito Eu!

Enquanto esperava, a hora exata de se despedir ele que trazia consigo um cheiro acre de solidão, seu corpo tremia. Não devido ao tempo, não! Apesar de não ser dia, de não brilhar o sol sobre seus ombros soprava uma brisa morna, carregada de tensão. E era isso, a tensão trazida pelo vento, nascida em seu próprio ser; que seja. A tensão era a causa dos arrepios.
Doze terríveis badaladas. Explosão, a corda tencionada ao máximo, como a lira com a qual Orfeu emocionou Hades. A corda assumiu, por sua conta e risco, a tensão do ambiente. A brisa? Cessada de todo. Arrepios que nada diziam. No céu, exatamente sobre sua cabeça, uma laranja gorda e suculenta refletia os raios que em outro momento teriam aquecido o lugar.
O mármore que cobria o piso da capela estava úmido, um murmúrio procurava abafar-se diante dos anjos de olhar repreendedor. O pranto calado buscava sobrepor-se aos boatos. Pobre alma perdia, ela que não teria acesso à comunhão, que não compartilharia do corpo nem tomaria o sangue. Seus olhos cerrados eram os do poeta, aquele que não chora.
Operários braçais, servos da morte ainda que vivos, baixavam as cordas, uma mão fechada abria-se, e dela, o pó fazia-se cobertura. O mármore dessa vez aquecido, incontínuo, irregular. Os anjos sofríveis regendo o coro celestial, infernal se quiser. Assim como o mármore, como a tensão... Assim a Laranja.... não só um espelho, explodindo em chamas e seus cítricos raios espalhando-se sobre eles.
Pasmo o olhar, sobre um pequeno altar, destinado a não se sabe qual deus, restos de cera. Testemunha da fé, daquele que se via preso. Daqueles que viram tensos, daquele que viram tencionando a corda. Sobre o altar, além da cera, uma caixa.
Vazia!

Meu grito precede o quarto estalo que poderia ser, digamos, a quarta trombeta do apocalipse.
Quem grita agora é o jovem poeta, desesperado. Seu monstro dorme o sonho dos justos. “O poeta não chora”, grita deixando escapar a pena por entre seus longos dedos. Três noites sem uma única palavra e na quarta delas, isso. Uma noite de linhas inspiradas pelo ralo. O quase-sonho-do-jovem-poeta, morto!
Relutantemente ele levantou seus olhos, agora fixos no armário e não mais na janela, que não passava de uma caixa sobre seu antigo altar. Curtos e apressados foram seus passos, aqueles mais doídos que já caminhara. Um castiçal sobre o altar e o armário aberto.
O jovem poeta que não chora agora é quase um dragão. Mas não cospe fogo, apenas fumaça. Esse é o passado meus caros. O passado do jovem poeta, ainda mais jovem. Timidamente a pena caminha sobre o papel. O quase-sonho parece tomar forma, não como antes, ou seria depois?
Sem velas no altar e a Janela fechada. O jovem poeta que não chora, novamente desesperado. A tinta do frasco seca, e a caixa... continuava Vazia!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Chá de Letrinhas - O Xodó do Livro Errante


O Livro Errante tem o maior orgulho de estar participando da formação da biblioteca de uma escola pública da cidade de Poços de Caldas - MG. Com a intenção de formar novos leitores, cada integrante da comunidade envia mensalmente 1 livrinho para crianças entre 6 e 8 anos, durante 1 ano. Livro Errante é atitude... junte-se a nós!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Muito prazer, Graciliano

Graciliano Ramos

Atenção novatos:

Livro errante: Muito prazer,GRACILIANO
Adesão: até 20 de fevereiro

Livros:
CAETÉS - dia 31 de março
SÃO BERNARDO - dia 15 de abril
ANGÚSTIA - dia 30 de abril
VIDAS SECAS - dia 15 de maio
INFÂNCIA -dia 30 de maio
INSÔNIA - dia 16 de junho
MEMÓRIAS DO CÁRCERE 1 - dia 30 de junho
MEMÓRIAS DO CÁRCERE 2 - dia 15 de julho
VIAGEM - dia 30 de julho
LINHAS TORTAS -dia 15 de agosto
VIVENTE DAS ALAGOAS - dia 30 de agosto
ALEXANDRE E OUTROS HERÓIS - dia 15 de setembro
Mesmo quem não dispõe de nenhum livro de Graciliano Ramos pode participar.
Espero você.
L.E

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quarta-feira em poesia -

Aquela Que Não Vem
Richardson Norchelli
Brinco neste barco em busca da rebuscada chama que ama em meu coração.
Ação, reação e retração, fujo, e julgo o que sinto, minto, e me sinto perdido.
Dói, dói muito, tanto tento ser astuto neste mundo onde o absoluto não passa de um sonho.
Ponho em suas mãos meus planos, que através dos anos, me fez um caçador.
E o ardor que não cessa, e o fulgor que não passa, e a dor... que retorna.
Busco você tentando ser um ser melhor sendo sempre certo e reto.
Torno meus pensamentos em atos todos para seu deleite, para seu delito e para seu espanto.
Tanto quero ter você que me perco entre os porquês entre os tornos entorno deste sentido.
Sentindo um lixo, jogado aos seixos, batendo o queixo no frio da solidão.
É a pressão, a opressão, a depressão já nem são me sinto mais, e meus ais, meus uivos.
Meu Deus, é o adeus, é o fim, é um enfim e um sem-fim de pesadelos que me assombram.
Que me tomam, que me tornam o que não quero ser, o que não quero ter.
Terei, por fim, em mim o sim que tanto quero, que tanto espero e almejo.
Te vejo, com desejo, entre os beijos ardendo, meus pensamentos divagam a você.
Ah! Você, fugindo assim, fazendo de mim um eterno fanfarrão.
Ilusão? Maldição? Ambição? Não! Realmente, raramente, simplesmente você!
Você me atirando, me jogando, me abandonando neste mar.
As ondas me desfazem, me destroem, me tornam apenas o molde da morte.
E você ria da ira divina da maldita praga vinda em meu encalço, com seu nome no laço.
Meu fim anunciado e eu amuado, nestas ondas deste mar... Ah! Mar... Amar?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Budapeste - o filme

Produtora Rita Buzzar
Roteiro: Rita Buzzar
Direção: Walter Carvalho
Filmagens iniciadas no Brasil no mês de janeiro
Leonardo Medeiros
Jose costa/Zsoze Kósta, gost-writer
Andras Balinte (Hungria) – Kocsis Ferenc, o velho poeta que lança os
Tercetos Secretos
Antonie Kemerling(Holanda)- Kasper Krabbe ( o alemão para quem Costa cria a biografia O Ginógrafo)
Ivo Canelas (Portugal)- Álvaro, o sócio de Costa na Cunha & Costa Agência Cultural (que, no livro, é brasileiro).
Gabriella Hámori (Hungria) Kriska, por quem Zsoze apaixona-se
Giovana Antoneli –Vanda, mulher Brasileira de Costa

Estréia prevista para dezembrou ou janeiro de 2009

domingo, 3 de fevereiro de 2008




Tédio



Marcelo Hasegawa

Acho que não vou mais
esperar cair a bomba
Tenho pressa,vou pedir a conta
Vou-me embora
mas não para Passárgada
onde não sou amigo do rei

(e lá já tem Poeta, eu sei)
Vou é para Pindamonhangaba
Quero chupar manga
quero comer goiaba
que o tempo é muito curto
e eu não curto essa piada
sem bicho
sem graça
sem nada

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Até quarta feira!




Flagrantes de rua do carnaval de 2008 ...





Pernambuco tem uma dança
que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
É maracatu, não!Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!Mas podia ser.
Mas será o baião, não!Mas podia ser.
É dança de roda, não!
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem!
(Capiba)

Bem gente, estou e sou da terra do frevo esta dança que em nenhuma terra tem. O carnaval começou e aqui se faz o melhor deles. Podem postar, quarta feira publico todas as opiniões.
quem quiser conhecer o frevo, ainda dá tempo...

beijos!

L.E