sábado, 20 de dezembro de 2008

Poema de natal - Fred Matos

Ergue-se, por um breve momento,

esplendida simbólica aurora

e o amor permeia o universo.

É tempo de renovar esperanças,

de rever amigos, de fazer planos.

É tempo propício a mudanças,

tempo de ser criança mesmo se já somos velhos.

É tempo de pensar na vida

e do que dela temos feito.

É tempo de prometer corrigir nossos defeitos

e mesmo não tendo jeito, de almejar a perfeição.

É quando os avaros doam

e os gulosos dividem o pão.

É quando os fortes perdoam

e os orgulhosos pedem perdão.

É quando o comércio vende em um mês por todo o ano

e o comerciante, mesmo contente, teme levar um cano

daquele pobre indigente

a quem empurrou juros de fazer corar cigano.

É quando os nossos filhos demonstram alguma ternura

e renovam suas juras de não perder outro ano.

É tempo de homens secos levarem flores pra casa

declarando amor eterno à mulher maltratada

que tratou o ano inteiro como se fosse de palha.

É quando comemoramos, fartos,

aquele singelo parto entre bichos na manjedoura.

Mas se aquela criança, que agora festejamos,

voltasse de novo à terra

para remir nossos pecados

teria destino mais triste do que ser crucificado.