quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quarta-feira em poesia -

Aquela Que Não Vem
Richardson Norchelli
Brinco neste barco em busca da rebuscada chama que ama em meu coração.
Ação, reação e retração, fujo, e julgo o que sinto, minto, e me sinto perdido.
Dói, dói muito, tanto tento ser astuto neste mundo onde o absoluto não passa de um sonho.
Ponho em suas mãos meus planos, que através dos anos, me fez um caçador.
E o ardor que não cessa, e o fulgor que não passa, e a dor... que retorna.
Busco você tentando ser um ser melhor sendo sempre certo e reto.
Torno meus pensamentos em atos todos para seu deleite, para seu delito e para seu espanto.
Tanto quero ter você que me perco entre os porquês entre os tornos entorno deste sentido.
Sentindo um lixo, jogado aos seixos, batendo o queixo no frio da solidão.
É a pressão, a opressão, a depressão já nem são me sinto mais, e meus ais, meus uivos.
Meu Deus, é o adeus, é o fim, é um enfim e um sem-fim de pesadelos que me assombram.
Que me tomam, que me tornam o que não quero ser, o que não quero ter.
Terei, por fim, em mim o sim que tanto quero, que tanto espero e almejo.
Te vejo, com desejo, entre os beijos ardendo, meus pensamentos divagam a você.
Ah! Você, fugindo assim, fazendo de mim um eterno fanfarrão.
Ilusão? Maldição? Ambição? Não! Realmente, raramente, simplesmente você!
Você me atirando, me jogando, me abandonando neste mar.
As ondas me desfazem, me destroem, me tornam apenas o molde da morte.
E você ria da ira divina da maldita praga vinda em meu encalço, com seu nome no laço.
Meu fim anunciado e eu amuado, nestas ondas deste mar... Ah! Mar... Amar?